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Brincadeiras preconceituosas têm nome: racismo recreativo

Por Fábio Luporini

Não tem graça. Não é legal. Não é certo. As brincadeiras que “antigamente a gente fazia” hoje não cabem mais na realidade em que vivemos. Muitas delas, inclusive, são consideradas crimes. Entretanto, continuam acontecendo e repercutindo. Por isso, falar sobre o assunto é muito importante, porque, para que não ocorram mais, é preciso um grande esforço de transformação de nosso pensamento e atitudes. Afinal, as brincadeiras são apenas a ponta do iceberg do ódio que está enrustido dentro de nós.

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Um dos casos que me chamou a atenção foi de duas influencers, mãe e filha, que somam mais de 13 milhões de seguidores em redes sociais como Instagram e TikTok. Em uma brincadeira viral, elas perguntam a crianças se querem um determinado valor em dinheiro ou um presente. As crianças escolhem um presente. O detalhe é que são crianças negras que, ao abrirem o presente surpresa, recebem uma banana e um macaco de pelúcia. Coincidência? Brincadeira? O vídeo, que não está mais no ar, recebeu mais de 700 denúncias no Ministério Público.

Especialistas dizem que brincadeiras desse tipo têm um nome: racismo recreativo. E isso deve ser combatido fortemente, com denúncias, julgamentos e punições aplicados rigorosamente. Até para servir de exemplo educativo e didático do que não se pode mais fazer. Só assim é que poderemos desestruturar o racismo estrutural que está internalizado em nós, como sociedade. E aqui volto a recomendar o podcast do Projeto Querino, que recapitula o processo histórico brasileiro e como o racismo foi construído ao longo dos séculos.

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Imagino que demorará algumas décadas ainda para que, um dia, possamos ostentar, de fato, que não somos um país ou uma sociedade racista. E que, infelizmente, ainda veremos muitos mais casos como esse. Não porque eles estão acontecendo mais, mas, sobretudo, porque eles estão aparecendo mais. Já aconteciam, entretanto, estamos fartos de vê-los acontecer e isso vem à tona. Mesmo assim, é preciso continuar falando sobre o assunto, denunciar o racismo e combatê-lo em todas as suas maneiras. Racismo recreativo não tem graça. Ao contrário, é crime!

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina. Me siga no Instagram – @fabio_luporini

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