A roupa que vestimos diz menos sobre quem somos do que o preconceito que temos

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Por Fábio Luporini

Uma rápida caminhada pela The Queen’s Walk, à beira do Rio Tâmisa, possibilita um surpreendente encontro de culturas. Idiomas diferentes, assim como costumes, hábitos e roupas. Dias atrás, parei para descansar, sentado em um banco ao lado da London Eye. Perdi as contas de quantas línguas ouvi falarem passando por ali. Da mesma maneira, incontáveis maneiras de se vestirem: burcas, jaquetas e, com menos frequência, kilts. Até mesmo um grupo de meninas enfrentava o frio de menos 10 graus vestindo saias curtas e decotes, provavelmente indo para uma festa após uma sessão de fotos.

Entretanto, olhares com menos alteridade tendem a não levar em conta, justamente, a beleza dessa diversidade. Tal qual alguns comentários que, eventualmente, ouvi: “que roupa estranha”, “que povo estranho”. Infelizmente, o preconceito que beira o fundamentalismo não enxerga a beleza da cultura diferente. Além disso, também não é exclusividade de uma nação, de um povo ou religião. E é aí que residem grandes problemas da humanidade: quando não normalizamos a diferença, acabamos por exaltá-la pejorativamente, criando barreiras perigosas num mundo cada vez mais globalizado.

O kilt, por exemplo, deixou de ser exclusividade de um estereótipo escocês, povo que utiliza a vestimenta em ocasiões especiais, como funerais, casamentos e festas. Até existem pessoas que o utilizam para reforçar essa característica. Do outro lado da Westminster Bridge, na esquina do Big Ben, na Parliament Square, um rapaz ganhava alguns trocados vestido tipicamente com o traje da Escócia, tocando gaita de fole. Não há problema nisso. É preciso normalizar o uso das roupas por quem quer que seja em que ocasião for. Afinal, a roupa diz muito menos sobre uma pessoa do que o preconceito de alguém sobre o outro.

Quando é possível permitir-se viajar, ter contato com pessoas do mundo todo, a gente acaba derrubando preconceitos que cristalizamos ao longo da vida. E isso faz um bem danado em nós e na maneira como nos relacionamos com os outros. Porque importa menos o modo como cada um se veste e mais como cada um se comporta a partir do caráter.

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina. Me siga no Instagram – @fabio_luporini

Foto: Pixabay

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