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A banalização da vida de um lado e, de outro, a espetacularização da morte

Por Fábio Luporini

O advento das mídias sociais, a rapidez com que a notícia corre e uma secularização cada vez maior da sociedade são alguns dos fatores que podem contribuir para a banalização da vida, de um lado, e para espetacularização da morte, de outro. Não é raro dar uma olhada nas manchetes dos jornais, sites e portais e observar que estamos morrendo e matando por muito pouco, por coisas banais. Ao mesmo tempo, infelizmente, para alguns produtos jornalísticos é exatamente isso que dá audiência, que monetiza, que traz dinheiro.

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A torcedora que morreu assistindo o jogo no estádio, o garoto que foi vítima de uma “bala perdida” no próprio aniversário, a mulher esfaqueada pelo cunhado, o rapaz baleado durante um jogo de futebol são algumas das notícias das horas anteriores às quais escrevo essa coluna. Se voltarmos um dia, uma semana ou um mês, a retrospectiva fúnebre seria muito maior. Obviamente as consequências de uma saúde mental frágil também interferem na potencialização da banalização da vida, que também fez duas vítimas adolescentes em um ataque a uma escola de Cambé, mês passado.

Em tempos líquidos, numa sociedade teorizada pelo filósofo polonês Zygmunt Bauman, a banalização da vida é algo corriqueiro, afinal, tudo, inclusive a vida do próximo, torna-se algo líquido e descartável. Quando a vida é banalizada, a ignorância e a violência saem das sombras e ganham as luzes e os holofotes. Daí a espetacularização, por meio da mídia de um modo geral, principalmente pelas redes sociais.

Banalização da vida na mída

O jornalista José Arbex Jr. já falava sobre a notícia transformada em um show. O termo cunhado por ele é “showrnalismo”. E é exatamente isso que a imprensa, de um modo geral, para ganhar cliques na concorrência com as redes sociais, tem mostrado. Ao passo que as redes sociais não têm o filtro necessário e importante para suavizar o impacto desse tipo de conteúdo, que normalmente viraliza. Assim, a morte vira espetáculo explorado até não ser mais possível em busca de audiência.

Até quando a gente vai se sujeitar a esse tipo de sociedade?

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

Foto: divulgação

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(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINENSE.

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