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Você é um cidadão de bem?

Você se considera “um cidadão de bem”? A expressão, tão desgastada nos últimos tempos, está em evidência mesmo sem que as pessoas tenham a real noção do significado. Do sentido mais profundo de cada uma das palavras. Por isso, pergunto: o que é ser cidadão? Ou o que é agir bem? Portanto, o que é ser “um cidadão de bem”? Vamos, nesta coluna de hoje, refletir filosoficamente sobre este assunto!

Em primeiro lugar, cidadão é quem exerce a cidadania. Ou seja, o fato de viver em uma cidade, que carrega consigo uma série de regras e normas pré-estabelecidas, torna as pessoas cidadãs, que têm direitos, mas, sobretudo, deveres. Ser cidadão, portanto, é cumprir com direitos e deveres civis, políticos e sociais estampados na Constituição, normalmente o conjunto das regras de uma sociedade.

Desde as mais simples, como respeitar a individualidade e a liberdade do outro, até as mais complexas, como garantir saúde e educação, ambas direitos de todos. Não é fácil viver em sociedade. Muito menos definir ou julgar quem é “cidadão de bem”. Justamente porque, apesar desse apanhado de regras sociais, existe uma infinidade de diferenças e divergências ideológicas, políticas, econômicas, sociais e muitas outras.

Inclusive há divergências na definição do que é o bem numa sociedade. Se regressarmos à Grécia Antiga, veremos que, para Sócrates, fazer o bem significava dar voz à consciência do agente moral, ou seja, à razão; enquanto que, para Platão, era necessário que essa razão controlasse nossos sentimentos e impulsos; ao passo que, para Aristóteles, realizar o bem era cumprir o que se dizia, isto é, era um saber prático.

Perceba como não temos uma definição absoluta do que é ser cidadão – afinal, o conjunto de regras muda de sociedade para sociedade – nem tampouco conseguimos reunir num só conceito o que é ser uma pessoa de bem. Por isso, o que vale aqui é o bom e velho respeito à diversidade de opinião. Não é porque o outro pensa ou age diferente que ele é menos “cidadão de bem” do que eu. Características como ser um bom cristão ou ser trabalhador não são intrínsecas ao conceito discutido por aqui.

Ao contrário, podem vir carregados de uma oca e falsa ideologia capaz de desmoronar ao menor sinal de qualquer turbulência. De tal modo que, defender princípios contrários aos pregados religiosamente ou na Constituição desconstruiriam a falácia do “cidadão de bem” apesar de suas crenças religiosas. Que cada um olhe para si e reencontre sua essência. Sua boa essência!

Foto: Fedrizzi Junior em Visualhunt

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

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