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Neoludismo: você tem vontade de se desconectar do mundo?

Os últimos meses têm sido intensos. Ao mesmo tempo, relaxantes. No meio de um ano conturbado e repleto de surpresas, sem contar a correria danada do dia a dia, do trabalho e da vida agitada que vivemos, sempre faz bem poder e conseguir desconectar um pouco. Então, tenho buscado refúgio em destinos próximos em meio à natureza: montanhas, picos, cachoeiras e rios. Um churrasquinho no meio do mato com os amigos, contato com animais silvestres… gastar um fim de semana assim recarrega as energias e nos deixa prontos para outras correrias e aventuras.

Isso tem nome, dentro das reflexões filosóficas: neoludismo, que significa enxergar a tecnologia de modo crítico e deixar de lado essa ânsia constante de estar conectado o tempo todo. Esse movimento questiona o tamanho da importância que damos às ferramentas tecnológicas e propõe que a gente desconecte-se para, de fato, existir. Quem não sonha em ter um momento ou dedicar-se a um tempo assim? Muito embora, a gente esteja sempre conectado às redes sociais e aos aparelhos eletrônicos.

Há alguns dias, fui visitar uma cachoeira com uns amigos na região de Londrina. Era domingo e, na volta, meu celular pifou. Não ligava, não dava sinal de vida nem nada. Eu tinha duas opções: ou jogava ele na parede (ou seja, me desesperava) ou aguardava até quando fosse possível conserta-lo, verificar o que era. O problema é que, no meio disso tudo, muitos compromissos e informações de trabalho ficaram inacessíveis. Quer saber de uma coisa? Não havia porque desesperar. Afinal, não dependia de mim. Então, aproveitei o tempo para desconectar totalmente.

Essa hiperconectividade serve a um propósito e não tem nada a ver com nossa vida ou saúde. Ao contrário, consome-as. Quer uma indicação? Assista ao documentário O dilema das redes, lançado recentemente no Netflix. Ali é possível entender e compreender o estrago que faz criarmos a necessidade da conexão total o tempo todo. Aliás, o que se mostra no filme é apenas uma ponta de um grande iceberg. Estudo da Apple e do fabricante de aplicativos Locket mostra que nós desbloqueamos entre 80 e 100 vezes o celular por dia. É muito, não? Muito mais do que realizamos atividades essenciais, como tomar água e ir ao banheiro, proporcionalmente.

Enfim, nós sabemos o quanto a tecnologia veio para ficar e permanecer no nosso cotidiano, nos ajudando com as tarefas diárias. Entretanto, vez ou outra é necessário deixa-la um pouco de lado para poder aproveitar melhor a vida que temos. A vida é só uma, afinal.

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

Foto:Simon Migaj no Pexels

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