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Duvidar é essencial. Sem fundamento, é idiotice

Questionar faz parte da essência da filosofia. Da humanidade, aliás. Colocar em dúvida é essencial para que as coisas caminhem para frente, para que se desenvolvam. Para que melhorem. Entretanto, duvidar apenas por duvidar passa a ser birra quando serve a um interesse particular e egoísta, mesquinho e nada altruísta.

Exemplos não faltam: o do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que questionou a votação nos estados onde perdeu, e o do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, que questiona o sistema eletrônico de votação, mesmo aceitando-o quando lhe foi conveniente, ou seja, em sua própria vitória. Isso já não é questionamento sério. É idiotice. É pilantragem. É pilhagem, roubalheira, mesquinhez de quem não tem maturidade.

Entre os céticos, grupo de filósofos cuja corrente de pensamento vigorou cerca de 200 anos antes de Cristo, há a ideia de que nossas crenças sempre devem ser colocadas sob exame, a fim de se verificar se, de fato, devem ser levadas a sério ou não. Alguns críticos desse tipo de filosofia dizem que há perigos em se duvidar de tudo. Por outro lado, pela teoria da dúvida metódica, fundamentada pelo pai do racionalismo, o francês René Descartes, já na filosofia moderna, é preciso duvidar de tudo até que se chegue a uma certeza: “penso, logo existo”.

O mundo ainda hoje continua precisando de gente que tenha a capacidade de duvidar, de questionar e de colocar em cheque muitas das nossas certezas cristalizadas com o tempo. Principalmente as que sejam de origem religiosa e espiritual, mais difíceis de serem palpáveis. Entretanto, é preciso ter responsabilidade para duvidar das coisas, não fazê-lo sem qualquer fundamento ou lógica, como os exemplos supracitados fazem.

Não é problema algum em questionar e, por fim, mudar a forma como se pensa ou transformar a realidade em que se vive. Desde que seja para melhor, a partir daquilo que já não satisfaz nem se sustenta mais. E não é o caso. Duvidar é essencial para a existência da própria vida.

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

Foto: René Descartes – reprodução da internet

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1 comentário

  1. Professor, também acho importante esse método, a dúvida, porque foi a dúvida e a curiosidade que fez a humanidade chegar até aqui. Infelizmente, não avançamos como deveríamos nas relações sociais, como o progresso tecnológico e científico. Seu texto, me faz lembrar das bobagens ditas sobre a vacina chinesa. São ideologicamente perversas e é incrível, como produz público, multiplicadores de tantas bobagens. Produziu o mito Bolsonaro.
    Peço licença para citar o livro do filósofo moral norte-americano Harry Frankfurt, título Sobre Falar Merda.
    Não vejo problema na fé quando vivida de forma generosa, como uma força e um alívio da alma, espiritualmente válida; o problema é a exploração da fé alheia para enriquecimento ilícito, que charlatões canalhas produzem.

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