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O Assassino: o novo e ótimo David Fincher

Por Marcelo Minka

O ser humanhinho não tem um minuto de paz. Como pós-pandemia, temos enchentes, vendavais e algumas guerras pelo mundo, tudo dentro da normalidade terrestre. Alguns (com mentalidade pós-adolescência) dizem que é castigo do criador, prefiro acreditar que tudo é reflexo dos nossos interiores. Bagaceira.

E quando o assunto é o mal, vamos falar do explorador número um da natureza dos males, o diretor David Fincher, responsável pelos memoráveis Clube da Luta (1999), Garota Exemplar (2014) entre outros. O Assassino, em exibição no Cineflix, é seu novo thriller psicológico, contando a história de um assassino profissional chamado Joe, interpretado brilhantemente por Michael Fassbender (Prometheus – 2012). O filme é baseado na graphic novel homônima de Alexis Nolent, publicada em 1998. Fincher adaptou a história de forma fiel, mantendo o tom sombrio e o estilo visual característico de seu trabalho.

O Assassino é o novo filme de David Fincher e está nos cinemas, mas dia 10 estreia na Netflix
Michael Fassbender em O Assassino – Foto: Divulgação

O personagem Joe (com muitos outros nomes) é um homem frio e calculista, creio eu que como todo assassino, que se dedica ao seu trabalho com perfeição. Ele não se envolve emocionalmente com suas vítimas e leva uma vida monótona e solitária. Fincher sugere que o mal não é algo que nasce conosco, mas algo que é criado pelas circunstâncias. Joe é um produto de sua sociedade, uma sociedade violenta e corrupta, um homem que perdeu a esperança na humanidade, e que encontrou no assassinato uma forma de se sentir poderoso e no controle.

Desta maneira, o filme se desenvolve explorando a natureza do mal de forma complexa e ambivalente. Joe é um homem que comete atos horríveis, mas ele não é um vilão tradicional, não é motivado por ganância, ódio ou prazer, mas simplesmente vê o assassinato como um trabalho, como um home office qualquer.

O Assassino na Netflix

E a cada frame, mr. Fincher vai aprofundando sua exploração sobre o mal, como se fosse um buraco sem fim: a banalidade da violência na TV, na internet, à nossa volta como se fosse tão normal quanto tomar banho, algo instituído e enraizado.

Enfim, temos uma produção com qualidade à la Fincher, um filme enxuto, tenso, pensado em cada detalhe, com visual deslumbrante sem ser apenas um exercício estético, cenas de ação coreografadas exaustivamente e sem pirotecnia, uma trilha sonora atmosférica, além de Michael Fassbender e Tilda Swinton estarem excelentes em seus personagens.

O único ponto negativo que consigo ver no filme é que talvez possa ser muito perturbador e violento para algumas pessoas. Pense aí num talvez bem grande e negrito, porque da maneira como estamos cercados por violência, já estamos mais que anestesiados.

Um detalhe, se você acha que cinema e estacionamento estão muito caros e não curte geração Tik Tok com celular ligado na sala de exibição, aguarde. Estreia dia dez deste mês no Netflix.

Marcelo Minka

Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas. Me siga no Instagram: @marcelo_minka e @m_minka_jewelry

Foto: Divulgação

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(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINENSE.

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