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Missa da Meia-Noite, imperdível

Não me lembro se já comentei nesta coluna, mas me irrita profundamente filmes ou séries de terror em que o único objetivo é fazer o espectador dar pulos de susto. Então, quando me chamam para assistir algo do gênero, sempre fico com um pé atrás. Quando me convidaram para assistir Missa da Meia-Noite, em exibição no streaming Netflix, recusei nas duas primeiras vezes. O próprio nome da série já remete a produções trash que aparecem aos montes todo mês.

Grata surpresa, a série é sensacional. Dirigido por Mike Flanagan (A Maldição da Mansão Bly – 2020), usa novamente o terror como fio narrativo e não com a banal finalidade de assustar. Nesta pegada, descobrimos que o grande terror, afinal, é o medo da inevitável morte e a grande interrogação do porquê da vida.

O roteiro, escrito por Flanagan e vários colaboradores, é surpreendente e criativo. Apesar de ser uma narrativa sangrenta e raivosa, o centro das atenções vai para as discussões mais que pertinentes nos dias atuais: fé, religião, bem e mal, amor, isolamento, vírus, doenças, e muitas surpresas em todos os episódios. A série também traz um elenco pouco conhecido, mas de peso, enfatizando as tensões das relações de seus personagens ao limite.

A história se desenvolve em uma minúscula ilha de pescadores chamada Crockett, isolada e com pouco mais de uma centena de moradores. Após o retorno de um jovem morador e de um novo padre na paróquia, eventos inexplicáveis e milagrosos começam a acontecer, mudando completamente a vida das famílias. Mas, tudo tem um preço.

O que se pode dizer mais da série é que, apesar de não colocar o terror como elemento central e sim como elemento narrativo, ainda assim é uma série de terror, muito terror. O mal pode estar em locais jamais imaginado e, como dizia Sartre, o inferno são os outros.

Mike Flanagan volta a repetir de modo enfático o que já havia deixado claro na série A Maldição da Residência Hill, de 2018; o amor intenso é o que importa, o resto é confete. Para quem gosta e para quem não gosta do gênero terror.

Marcelo Minka

Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas.

Foto: Divulgação

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