Por Marcelo Minka
Sem grandes novidades nas salas de exibição da cidade, o único lançamento da semana é a produção da Disney, “A Pequena Sereia”. O filme é um remake live action do desenho de mesmo nome lançado em 1989. Então a primeira pergunta que surge é: por que e para quê? E a resposta é fácil: mais dimdim fácil no bolso da Disney, mais alguns milhões de bonecas com rabo de peixe e brinquedos de plásticos vendidos pelo mundo.
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E já vamos começar o texto sendo muito diretos, se você já assistiu o desenho de 89, não perca seu tempo com o filme. Se você não assistiu o desenho de 89, assista, não perca seu tempo com o filme. Em resumo, a história é a mesma, com leves alterações no enredo e acréscimo de algumas músicas novas.
Ariel é uma sereia princesa no auge da adolescência e, insatisfeita com sua vida no fundo do mar, apaixona-se por um príncipe humano e faz um pacto com uma bruxa do mar para se transformar em humana. Imagina isso numa versão umbandista (bem melhor). Há diferença sim, e muita, na história original que inspirou a Disney, escrita em 1837 por Hans Christian Andersen.
E o óbvio aconteceu mesmo, sem dó, de voadora, a sereinha de 2023 conseguiu o feito de não apresentar nada de novo e ainda ser pior que sua versão anterior. A única novidade é que Ariel é interpretada pela ótima Halle Bailey, atriz e cantora negra, substituindo a branquela de 89.
Aliás, isso deu pano pra manga, assim que a Disney anunciou o elenco, Bailey sofreu ataques racistas virtuais e houve muitos pedidos para que o elenco fosse mudado. WTF? Só vou perder meu tempo dizendo que quantidade de melanina na pele não pontua no currículo de nós, seres humaninhos, e quem pensa diferente que peça ajuda a um profissional, digo, um psicólogo, ou psiquiatra, ou xamã, enfim, corra atrás de ajuda.
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David Magee escreveu o roteiro repetindo muitos diálogos do original, assim como a direção de Rob Marshall pega emprestado do original extensos planos e cenas. Mais uma vez a pergunta: para quê? A produção não quis correr riscos com o ‘money’ investido e resolveu contar apenas com a memória afetiva do público, e talvez isso dê certo como no remake O Rei Leão de 2019.
Mas apenas talvez porque, como discutimos em um texto passado aqui da coluna, o público pós-pandemia mudou muito, assim como as tecnologias que nos disponibilizam dezenas de streamings com milhões de opções no conforto da casinha.
Deixei o pior de tudo para o final do texto. O visual do filme é estranhíssimo, os efeitos pífios, parecem que foram elaborados na correria do ‘deadline’. O que, talvez novamente, justificaria esse live action é trazer para o real os personagens desenhados, mas é tudo pasteurizado e sem expressão, como um desenho ruim. Para quê?

Marcelo Minka
Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas. Me siga no Instagram: @marcelo_minka e @m_minka_jewelry
Foto: Divulgação
