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A Mulher Rei: vale a pena pagar o preço dos estacionamentos dos shoppings

Por Marcelo Minka

Hoje o friozinho chegou com um sol radiante, este sábado promete. E para quem pensa em pegar um cineminha fim de semana, a dica é o filme A Mulher Rei que estreou esta semana nas salas da cidade. Finalmente um filminho que valha a pena o preço exorbitante dos estacionamentos do shopping.

Incorporando a figura principal da trama, Viola Davis, como sempre, mostra força, carisma e competência de sobra para interpretar seu complexo personagem. Ms. Viola tem a tarefa de apresentar na tela uma mulher forte, tanto no físico quanto no caráter, numa mistura de Pantera Negra com Mulher Maravilha, empoderada em sua cultura e identidade como mulher-negra-líder.

O roteiro é baseado em fatos reais que se passaram na África Ocidental em 1823: um grupo constituído somente por mulheres guerreiras são destinadas a proteger o reino de Daomé, conhecido hoje como Benin, contra os colonizadores franceses e tribos rivais. As guerreiras, conhecidas como Agojie, são lideradas pela general Nanisca (Viola Davis – Histórias Cruzadas – 2011), tudo isso acontecendo naquela época obscura da humanidade, que eu não sei bem se acabou, em que os branquelos faziam dos negros meros produtos para seu lucro vil.

Muito bem dirigido por Gina Prince-Bythewood (The Old Guard – 2020), o filme foi sucesso nos Estados Unidos logo em seu lançamento, mas em seguida sofreu severas críticas nas redes sociais, inclusive com campanhas para boicote. Isso porque alguns críticos acharam que a trama romantizava a escravidão. Hollywood é muito branquela, não é? Certamente houve esta romantização, afinal, na visão dos produtores os cofres precisam se manter cheios.

Esse perrengue todo é porque a tribo Dahomey comercializava escravos masculinos com o império Oyo, ou seja, africanos vendendo africanos como escravos. E os críticos ao filme deixam bem claro que a saia justa não tem nada a ver com Ms. Davis, e sim com o branqueamento da história feita pelos branquelos. Enfim, estamos em pleno 2022 e esses perrengues ainda se fazem necessários.

De qualquer maneira, se você não adotar o boicote, vale a ida ao cinema, Viola Davis está fenomenal no papel de Nanisca, a produção é impecável e a fotografia linda. Bom fim de semana geladinho e ensolarado.

Marcelo Minka

Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas.

Foto: Divulgação

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