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Tempo…

Por Ângela Diana

Na arte não medimos o “tempo” como no calendário e acredito que esse é o “tempo certo”. Você quer um exemplo? Quando começamos a estudar a historia da arte, percebemos que é como aquelas escadas espirais, que se pode descer ou subir infinitamente…

Existe sim, um certo começo “cronológico”, mas a arte esteve com o ser humano desde sempre ou o contrário! Se o ser humano soubesse que tem a arte dentro de si, no nosso DNA, que, ao invés de destruir, podemos construir, será que a terra não seria um lugar melhor para viver?

Utopia minha à parte, sempre que você procurar a biografia de um artista, verá que ele ou ela volta para as “fontes” antigas em algum momento da carreira. E não importa se é ocidente ou oriente. Aliás, ainda mais no oriente, aonde os povos são mais tradicionalistas.

Existe também a “quebra”! Quando “bebemos das fontes antigas” e percorremos o que outros artistas percorrem, chega um momento que rompemos os padrões pré-estabelecidos e criamos nos nossos próprios mundos.

Mas, raízes são raízes! E inconscientes…

Isso aconteceu comigo… Em algum momento, meu trabalho encheu-se de fitas de cetim, costura, rendas, chitão (amo chitão).

Então fui para Minas Gerais, terra dos meus bisos e avós maternos… E lá vi o quanto o povo mineiro gosta de adornos, de fitas, tecidos, chitão, cor, são “barrocos” de raiz. Encontrei com um lado da minha árvore genealógica sem querer… E me reconheci ali!

E escrevo minha própria história, mas com as raízes que me fazem ser quem sou. Pesquisar suas raízes e ir no passado das suas famílias ou de toda a sua linhagem de ser humano, fortalece a obra, isso sem falar na vida, né?

Conheço muitos artistas que escolhem o caminho de não “contar uma historia pessoal”, mas tenho sérias reservas sobre isso, pois acredito que mesmo a maneira que você segura um lápis tem a ver com suas raízes e é impossível não ser tocado ou tocada pelo ambiente ou pessoas que se convive.

Dizer que não tem referências ou que nada interfere no trabalho é uma forma muito pobre de explicar que apenas o artista ou a artista não consegue reconhecer de onde ou como ele ou ela “cria” suas imagens ou seu mundo.

Lembrando que “criar”, até mesmo no dicionário, não significa fazer algo do nada, mas aproveitar o que já existe e plasmar no material o que se sente ou o que se vê. Dizer que não sofre influências é um contra senso. E é impossível… Ainda mais no mundo de hoje, que temos informação a todo instante, como uma enxurrada.

Então, como artistas, devemos (no sentido de “dever”) procurar saber sobre nossas raízes e assumir o que nos influencia. Seja o que for, a vida e a obra consequentemente só ficará mais rica.

Se você é um artista que acredita que NADA o influencia (ou A influencia), de verdade, acredito que deva repensar seu processo de criação, pois a ideia não é destruir o passado e o presente, mas aproveitar o que eles trazem de melhor para o trabalho. É como ver novas tecnologias como mais técnicas para aproveitar na obra.

E por isso, nunca acreditei que artistas abandonariam os seus pinceis pelos computadores, mas que usariam essa tecnologia fantástica para enriquecer suas obras. Aprendi com uma amiga psicóloga, que usa um método muito interessante, nas sessões, que podemos rever nosso passado e muitas vezes , mudar nossa forma de ver esse passado e isso ajuda muito no presente… Olhe como a vida em si não segue regras de cronologia criadas pelo ser humano para contar o tempo. Ou seja, nem nós mesmas, criaturas que somos regidas pelo tempo em um espaço, temos o “mesmo” tempo.

Isso a arte mostra claramente, quando estudamos biografias e vemos como o tempo de cada artista foi diferente, alguns começaram cedo, outros “tarde” pelo calendário “humano”. Pela arte, o tempo é o tempo todo…. passado, presente ou futuro convivem pacificamente.

Estude arte, estude história , estude a história da arte…

Obra minha – Foto: Acervo pessoal

Talvez o passar do tempo seja um problema para você nesse momento, mas espero que a arte mostre que o passar das horas não é o problema, mas a FORMA que você entende isso é que pode ser!

Boa semana a todos, todas e todes!

E meus parabéns para nossa amada editora TELMA ELORZA! Essa pessoa especial, corajosa, que nos mantém na linha, sem enlouquecer e que mantém com amor e profissionalismo esse nosso amado jornal, funcionando nesses 4 anos! Aplausos e nossa gratidão!

Ângela Diana

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.

Foto: Obra de Aleijadinho/Reprodução da Internet

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