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Arte: rupturas de gerações 

Por Ângela Diana

Há quem diga que a arte digital vai exterminar os pincéis, lápis, telas de tecidos e outros “que tais”! Como artista, devo dizer: “Ledo engano meus caros amigos, amigues e amigas”! A meu ver, aconteceu um hiato entre as gerações dos anos 1980 e as de agora…. O que nunca vou entender é o porquê! Já que foi na década de 1980 que as tecnologias que vemos hoje começaram a sua efervescência! A cultura estava em ebulição e éramos a geração que prometia fazer grandes mudanças!

Mas artes no mundo…. Será que fizemos? O que aconteceu com a geração que cresceu ouvindo muito rock and roll e o melhor da música brasileira? O que aconteceu com os artistas plásticos que eram a grande promessa no Brasil? E com os movimentos que já vinham da contracultura dos anos 60 e 70?

Fomos nós que rasgamos os jeans, colocamos vários furos nas orelhas, fizemos tattoos, não tínhamos medo de cortar o cabelo de várias formas, misturavamos o tutu do balé (a linda saia de tule) com “coturnos”… pintamos a boca de preto ou azul! Para vários, o movimento punk era o guia! Tinha um “porquê” usar roupas pretas ou largas demais…

A arte estava tomando seu espaço e muita gente queria e era criativa!  A vontade de ser DIFERENTE imperava, mas também fazer parte de algum movimento realmente importante! Nascia o GREENPEACE e a luta pelos direitos dos animais, era maravilhoso ver um barco do Greenpeace travando os planos diabólicos dos caçadores de baleias! 

Tudo isso e muito mais serviram para que os artistas pudessem ter esperança! A arte floresçia… as pessoas procuravam ateliers para aprender a arte, desenho, pintura..

Gerações partidas

De repente, tudo se partiu.

Aconteceu uma ruptura entre o mundo criativo e um mundo que, sinceramente, por vezes é insuportável.. 

Machista, homofóbico, racista, reacionário, pessoas extravasando ódio e pestilência em redes sociais…

Nos idos de 1985, 1986 tínhamos medo do cometa Halley. Hoje tenho medo de quem se diz certinho ou certinha demais…

O que houve entre as gerações? Cadê a arte que florescia e as mentes que se expandiam? Hoje tudo é machista, racista, homofóbico, reacionário...

Minha geração ainda é de AGORA! Mas, sempre me pego pensando, aonde foi que erramos para que o mundo que temos agora tenha ficado tão pobre de arte e tenha criado pessoas tão insuportavelmente fechadas em tantas ideias arcaicas, com toda a tecnologia e informações que todos nós podemos ter acesso… Um mundo inteiro de conexões, descobertas científicas e nada do ser humano usar isso para ser melhor! 

Aonde nós, artistas, deixamos de aproveitar a tecnologia a nosso favor? Fomos nós que não soubemos agregar mais técnicas ou não conseguimos aproximar a arte de mais pessoas?

Quando a arte e os artistas se tornaram os “vilões” da sociedade?

Para mim, cada técnica nova é mais uma para o cabedal de conhecimento nas artes! E isso não é só o que eu penso, mas o que muito a artistas ao redor do mundo usam!! E ensinam!

Não existe uma versus a outra! O que existe, na cabeça de muita gente, é que o  NOVO  deve ser uma ruptura completa do “VELHO”…

ISSO é para quem nunca ouviu que “não existe nada de novo sob o sol”, meu caro gafanhoto…

A vida nada mais é do que uma repetição dela mesma… A arte ajuda a quebrar padrões estabelecidos e dar um salto nesse giro sem fim, da vida …

A arte não é NOVA,  mas também não é “caduca”! Ela vai sendo aperfeiçoada por cada artista que passa pelo mundo… É, essas infos ficam guardadas no DNA, são atávicas… Passadas de geração a geração… um presente do tempo para nós…

A ruptura foi grande… A arte foi afastada de muita gente… E quando digo “foi”, porque nada foi por acaso, mas sim esquemas de um sistema falido de sociedade que insiste em colocar as pessoas dentro de caixas!

O que você acha sobre isso tudo? 

Me fale, me dê ideias de pautas, me diga o que você mais quer saber de arte!

Desabafe!

Paz vobiscum

Ângela Diana

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos. Instagram angela_dianarte

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Fotos: Acervo pessoal

(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINENSE.

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2 Comentários

  1. Bela reflexão do caminho da arte.
    Difícil é responder suas perguntas… rsrsrsrs.
    Tenho visto que a internet, essa globalização, não ajudou… ela acabou achatando o conhecimento. As pessoas não pegam em livros, lêem resumos de algo que foi escrito… muito conteúdo sem conteúdo.
    Tb sou dos anos 80, e sinta saudades da vibração daqueles anos.
    Mas o caminho está aí, só abrir a picada de novo.

    1. Concordo Wagner!! agora tudo :tem ” que ser “confortável, rápido e sem dramas”! A vida não é assim…
      Mas. nossa tribo é grande né Wagner e a gente vai continuar abrir picadas sim! tamos juntos!!

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