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Quando o Deus da Arte dá um toque – parte 3

Por Ângela Diana

Continuando a história da semana passada (que você pode ler aqui): Logo depois da entrega do prêmio, veio a parte burocrática, conseguir o visto, fazer o passaporte… Naquela época, era bem difícil uma pessoa da minha idade (vinte e pouquinho) conseguir o visto, mas até isso foi fácil, carta da galeria, da Leticia provando que eu era estudante de arte e que a viagem era um prêmio. MAS…. – e lembrando que a passagem era intransferível – EU NÃO SABIA FALAR INGLÊS E IRIA SOZINHA, minha família quase surtou! Meus amigos quase surtaram, e todo mundo queria que eu desistisse e que era perigoso.

Eu estava tão tranquila que simplesmente fui arrumar a mala e falava para todo mundo: “gente! Claro que eu vou”! Mesmo porque SEMPRE QUIS CONHECER NOVA IORQUE! Fui pra Sampa, fiquei na casa da minha amiga irmã Andréa Kfouri, e tio Jorge e tia Vera, foram verdadeiros pais para mim lá (tio Jorge já desencarnou e tenho certeza que está num lugar muito luminoso), sempre vou carregar eles no coração (e minha amiga Dé e seus irmãos, lógico)!

Essa foto é bem parecida com minha primeira visão de Nova Iorque, vista de cima – Foto: Reprodução da internet

E chegou o dia… 9 horas de viagem. Durante o voo,  conheci um senhor canadense que falava espanhol, bem tipo avô mesmo e ele me explicou como era a cidade e que ia dar tudo certo. Foi quando saí na porta do aeroporto que deu um leve desespero, pensei: E agora? Como vou fazer para ir pro Albergue da Juventude? Do nada , aparece uma moça do meu lado e me pergunta :”você é brasileira”? Eu disse sim, daí ela me explicou que também era e se eu não gostaria de dividir o taxi com ela, pois não queria ir sozinha. Lógico que aceitei!

Ela era estilista e ficamos de trocar figurinhas, mas infelizmente o pessoal do albergue marcou o fone dela errado e eu nunca mais falei com ela. O táxi me deixou primeiro e o prédio era daqueles saídos de série dos anos 90! Todo de tijolinho à vista, com jardim de inverno e tudo mais… Mas, né, gente! EU NÃO SABIA FALAR INGLÊS! Foi a velha história: “Hello, my name is Angela and I don’t speak english”… O pessoal do albergue nem se alterou, pude entender um dizendo pro outro: “Call Raphael”! É! Nada de Ralf, mas RAPHAEL!

O Albergue onde fiquei – Foto: Reprodução da Internet

E lá vem o Raphael: um negro alto, bem mais velho, ele já era avô e falava espanhol! Toda vez que eu estava no albergue e precisava de alguma coisa, o Raphael aparecia no corredor. Do nada… Ele me ensinou a falar no telefone, nos EUA a gente falava pela telefonista. Depois de dez dias na cidade, eu já estava falando EM INGLÊS com a telefonista e ligando para cá! Antes de voltar para casa, dei para o Raphael um pequena tela que levei (levei várias!) e lembro que ele ficou muito feliz e eu muito agradecida! Ah! E também fiz uma expo lá! Mas, isso será a ultima parte dessa história!

Bom final de semana pessoal! E lembre-se de ajudar nosso jornal pelo CATARSE!

Ângela Diana

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.

Foto: Pixabay

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