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Oficina Bijorhca e sustentabilidade

Por Ângela Diana

Oficina Bijorhca – Sustentabilidade, vintage, remontagem, memórias afetivas, peças de boa qualidade que as pessoas jogam fora ou nunca usam. Essa semana resolvi falar da oficina, mas não pensem que é para fazer uma “grande” propaganda… Na verdade o mote da matéria é a sustentabilidade, que para variar, veio de uma papo com café, no intervalo do nosso trabalho no atelier, eu e a Aninha…

Afinal, o que é “sustentabilidade”?

Sustentabilidade: pelo dicionário é “característica ou condição do que é sustentável”.

Nosso caso sempre foi o seguinte: como a loja física foi a primeira de Londrina e trabalhava com altos estoques (inclusive de peças para montagem), quando assumimos, em 2018, descobrimos muitas, mas muuuiiitasss peças e bijoux “mocadas” e sem uso, ocupando espaço e envelhecendo…

Muitas eram coleções passadas, com metais nobres e cristais ou pedras da melhor qualidade que, passando a “modinha”, ficaram escondidos nas gavetas (muitos eram cristais Swarovski).

Na Bijorhca do passado, as pesquisas sobre o que comprar ou não vinham das novelas e do que o público feminino (na época, era assim que se faziam pesquisas de tendências aqui). E é lógico que nada disso desfaz o excelente trabalho e toda a memória afetiva de várias clientes que, até hoje, depois de quase 50 anos da existência da loja, ainda têm suas peças joiudas “que fizeram parte dos looks de formaturas, casamentos , aniversários de debut, momentos românticos e dia a dia”.

Baita propaganda, hein Ângela? Não, gente! Apenas HISTÓRIA, já que essa cidade NÃO TEM MEMÓRIA! 

Posto isso, vamos ao que interessa! Unindo técnicas artísticas, artesanato e técnicas de joalheria, estamos estudando há tempos, a melhor forma de criar uma marca que traga a afetividade de volta, mas que seja absolutamente artística, usável, única, peça para colecionar e que não destrua mais ainda ao planeta. Mas, caímos em uma contradição: existem peças de metal, que não há formas de serem utilizados…

Ficam escuros, não sabemos que tipo de metal são e não temos em Londrina uma central de reciclagem que possa reutilizar esse metal.

O que fazer então? 

Nossa melhor ideia, na verdade, foi realmente juntar esse metal em sacolas separadas e colocar no reciclado imaginando que alguém, talvez algum artesão, possa reutilizar isso, mas essa não é a solução final e satisfatória  para este problema!

Qual seria então a solução para o problema desses resíduos que ficam das indústrias e das fábricas e das lojas e do que resta? Uma das soluções que eu sempre imaginei foi que tivéssemos um belo de um projeto de reciclagem em que englobasse artistas plásticos, engenheiros químicos, pessoas técnicas que fizessem o trabalho profissional de transformar isso tudo em produtos que serviriam para várias utilidades no dia a a dia!

Isso serviria também com o lixo orgânico, com tecido aonde pudéssemos ter uma central em que todo reciclado da cidade fosse recolhido, dividido, e que dentro dessa central (quase uma cidade industrial) fossem feitos galpões para que costureiras, designer de moda e tantos outros profissionais pudessem reutilizar todas as roupas que as pessoas não usam mais, fazendo tanto roupas para doação quanto roupas para vender quanto desfiles de moda, por exemplo! Isso é um dos exemplos!

Poderíamos ter galpões aonde os artistas plásticos, os designers, os gravadores, os escultores ensinassem as pessoas a fazerem obras de arte e a fazerem também utilitários, usarem todos os móveis que se jogam fora nas ruas e que não existe ninguém que os recolha… Não sei se você sabe, mas os móveis que são recolhidos são só aqueles que tem cupins ou que estão detonados o suficiente para que ele sejam jogados fora!

Eu sei que você pode pensar que as minhas mais recentes colunas não dizem respeito à arte, mas dizem sim! Eu sempre falo e não é uma frase minha não, é uma frase de Letícia Marquez, uma grande artista de Londrina e de outras pessoas e outros artistas que conhecemos fora do Brasil, que a  arte salva! Um dos objetivos da minha coluna é mostrar para vocês como  essa arte salva! Como a arte está envolvida no nosso dia a dia…

Trouxe aqui para vocês hoje uma questão prática que eu e Ana Paula estamos vivenciando e que eu tenho certeza que muitas lojas na cidade de Londrina que mexem com bijuterias também tem este problema….

Oficina de consertos

E falando disso, temos algumas outras questões em mente e algumas soluções! Uma delas foi voltar com a oficina de consertos de bijoux. Nós sabemos que, em Londrina, não existe isso. Não existem pessoas que tenham experiência de tantos e tantos anos para esse tipo de trabalho, que conheçam inclusive os estilos de cada biju.

Você sabia que cada peça que usa, desde um brinco até um colar ou anel, foi desenhado por um artista e muitos artistas e designers são brasileiros? Isso tem que ser reconhecido por todas as pessoas! Somos brasileiros, criativos e fazemos coisas para outros países! Exportamos peças de bijuterias e joias, exportamos moda… ganhamos concursos internacionais com a nossa criatividade e, principalmente, com toda essa diversidade que nós temos!

Lembro de uma designer, anos atrás, que ganhou um mega prêmio fora do Brasil muito importante de desenho de joias, em que ela fez uma pulseira de palha trançada com diamante! Quem pensaria numa coisa dessa?

Mas, nós, brasileiros, somos muito arrogantes! Jogamos fora tudo que temos de melhor e damos muito valor ao que vem de fora, quando o que vai para fora do nosso país tem muito valor para eles lá! Tenho colocado no meu Facebook e no meu Instagram sobre o São Paulo Fashion Week e sobre o Minas Trend deste ano … Mesmo meu mote sendo a arte e a expert é a Ana Paula Barcellos que fala divinamente sobre todos os movimentos, tendências e como você pode fazer uma uma moda sustentável. Já fazem anos desde que ele escreve a coluna que ela fala sobre moda sustentável!

Isso também tem  tem tudo a ver com o movimento global do mundo das artes. Lembrando que, na arte, nós não criamos nada, ninguém cria nada do nada, isso é uma coisa que as pessoas precisam aprender! Na arte nós reutilizamos, nós repensamos, nós trabalhamos, projetamos, desconstruímos e construímos! A arte faz parte do seu dia a dia e você nem percebe!

Sempre  sigo os movimentos da moda, porque quem fazia são grandes artistas! E a grande tendência desse ano, que já vem sendo falada sem parar e trabalhada por designers brasileiros, dos mais diferentes setores artísticos, é darmos valor ao que nós temos! De parar de apenas fazer e jogar fora poluindo o planeta!

Inclusive vi uma reportagem do Dudu Bertolini falando muito  da brasilidade! Ele é um tremendo artista! Muitos artistas plásticos estiveram no mundo da moda, inclusive posso citar um deles que foi Salvador Dali! Existem peças de joias que Salvador Dali desenhou e que foram feitas. Claro que custam uma fortuna!

Hoje quero falar de sustentabilidade e da Oficina Bijorhca.
Joia de Salvador Dali – Foto: reprodução da internet

No Brasil também existe uma questão muito séria em que as pessoas são colocadas dentro de caixinhas  e que assim fica difícil fazer uma ponte de uma profissão com a outra! A coluna de arte aqui é para falar sobre isso também! Vamos juntar a arte com o dia a dia? Vamos descobrir aonde é que a arte funciona na sua vida? Vamos aproveitar  a arte para melhorar a vida? Embelezar? A beleza como energia e não com  apenas  vaidade? Vamos fazer isso hoje?

Procure não comprar mais bijuterias feitas aos quilos, busque peças que a representem! É perigosíssimo você comprar brincos, anéis colares, que são feitos de quilos! Essas peças, no geral, são feitas com metal totalmente desconhecido, muitos inclusive podem conter chumbo que é extremamente prejudicial e mata! E tudo que é barato demais tem trabalho escravo, lavagem de dinheiro por trás! Lavagem de dinheiro existe no mundo das artes já faz anos! Todos nós sabemos disso…

Então será que já não está na hora de usarmos a nossa cabeça e consciência coletiva e cuidar do único planeta em que  vivemos? A nossa casa nesse momento é a terra e nós estamos enchendo a terra de roupas que usamos uma vez e jogamos fora, estamos enchendo a terra tirando mineral do chão e deixando buracos gigantescos, sendo que podemos reformar, reutilizar e ainda mais usando tudo que a arte pode nos dar que é criatividade e  a excelência! 

Sermos únicos!

Termos nosso próprio estilo e nos destacarmos de uma multidão de pessoas que usam sempre as mesmas roupas, as mesmas peças e que o baratinho é o legal! O baratinho não é legal! O baratinho é totalmente legal enquanto não tivermos essa consciência de estudar o que estamos usando, estudar o que estamos fazendo pelo nosso planeta e acharmos soluções!

Gente, já estamos vivendo isso com esse calor insuportável. E o que isso tudo tem a ver com arte, Ângela? Tudo! por estudar arte, todos os assuntos que eu tenho trazido fazem parte de uma coisinha muito simples chamado: processo de criação! Mesmo você, que acha que não tem dom para o desenho  ou para arte, como a maioria acredita, tem o seu processo de criação, a sua vida não passa de uma grande criação sua! Você cria sua vida, você cria os seus hábitos, os seus maus hábitos. Você cria o seu estilo, você cria o seu estilo de vida, você escolhe! E quando temos a escolha estamos criando!

Gostaria com esta coluna de hoje trazer um grande questionamento: quem você é? O que você está fazendo pelo planeta? O que você veio fazer aqui? Veio a passeio? Pelo menos, quem acha que veio a passeio, por favor, não polua! 

Joia de Salvador Dali – Foto: reprodução da internet

Procure os atelier de artistas, procure o designer de moda, procure suas costureiras, alfaiates, procure conversar com as pessoas do mundo das artes, do mundo do design, do mundo da arquitetura, procure conversar com os artistas que moram nessa cidade e que são muitos! Procure conversar com as pessoas que trabalham com arte independente e procure entender um pouco mais como funciona a cabeça desses artistas. Você terá muito que aprender. Não somos deuses, não. Somos pessoas como você, mas a arte vive na nossa vida todos os dias.

Gostaria de terminar a coluna de hoje e, com muito respeito, oferecer toda minha reverência ao Antônio Mariano Júnior, o incrível jornalista, um belo poeta das palavras que, infelizmente, não pude conhecer pessolamente, que não foi meu amigo íntimo, mas fazia minhas manhãs mais leves com seus belos textos, força de vida e fé!  Ele vai fazer muita falta e meus sentimentos a todos os grandes amigos e amigues ,amigas e família dele! A você, Mariano, “toda a minha reverência”!

Paz vobiscum!

Ângela Diana

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos. Instagram angela_dianarte

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Foto principal: Joia de Salvador Dali – Reprodução da internet

(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINENSE.

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