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Diário de Quarentena: O que te faz feliz?

Uma das coisas que aprendi com a arte foi que apenas o que fica na obra é o mais importante! A obra pode ser minimalista (mínimo de elementos) ou cheia de formas e cores. Por vezes, o artista tem muito para “falar” e, às vezes, apenas um elemento ou duas ou três cores já cumprem com maestria a sua função, por assim dizer…

Foto: Acervo pessoal

No processo da elaboração, seja de que técnica estejamos falando, nem sempre a emoção daquele momento é confortável ou leve. E isso depende muito do tema, do assunto que o artista está se referindo. A pergunta é sempre essa, para finalizar o trabalho: “o que é mais importante”?

Nessa pandemia, aprendi a me perguntar como artista e como pessoa: o que me faz feliz? Quais os “pesos” que não fazem mais parte da minha vida, o que realmente importa?

No meu processo de criação, invariavelmente, eu rabisco na tela (ou no suporte escolhido) e vou simplesmente deixando fluir… Qual a cor certa? A que vem na cabeça! Esse elemento TEM que estar aqui? Se sim, deixo…Se não, recorto sem dó! E se, por outro lado, sinto que “falta” elementos diferentes, simplesmente colo em cima da tela… O que dá a sensação de varias dimensões,  acontecendo ao mesmo tempo…

Foto: acervo pessoal

Se formos colocar esse jeito de fazer, digamos assim, o que é isso no dia a dia? Simples: a arte nos prepara inconscientemente e nos leva para as ações, que muitas vezes são necessárias, mas não conseguimos ou não acreditamos que podemos fazer. E como escrevo aqui para vocês, muitas e muitas vezes: “quadro não é para combinar com o sofá”!

A arte é absolutamente necessária para termos consciência dos nossos processos, das nossas angustias, alegrias, organização mental! Um fluir de energias, desprendimento, “religare” com as energias que nos amparam…

Nesses momentos de angústia, de desespero, de não sabermos o que esperar amanhã, de perdas! Perdas de entes queridos, mortes, perdas financeiras, insegurança, vocês já se pegaram perguntando o que realmente vale a pena ou “O que te faz feliz”?

Cansei de ver pessoas talentosas, que eram imensamente felizes com suas obras e por imposição da família, ou dos companheiros e companheiras, deixam a arte de lado… E vão aos poucos desistindo dos seus sonhos e dos diferenciais dentro delas…Tornam-se números, e um dia …bom, a morte vem sorrateira e daí “adios muchachos”!

Foto: Acervo pessoal

O que mais a arte me ensinou? A me reinventar! A estudar, a procurar músicas, livros, filmes, a ter coragem para superar  um dos piores medos do ser humano: o medo de passar vexame,  medo do ridículo! E esse medo nos paralisa, nos impõe padrões impossíveis para fazermos “parte” de algum grupo, que nem nos conhece tão bem!

Se você nunca teve contato com a arte, não é tarde para começar! E se já teve vontade de atuar, cantar, dançar, escrever, fotografar, pintar, desenhar… Não tenha receio!

O que te faz feliz?

Angela Diana

Foto: Ana Paula Barcellos


Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.

Foto: Obra de Angela Diana


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