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Da série “temas da arte”: A Morte

Talvez esse seja um dos temas mais polêmicos nas artes, a morte!

A morte é a figura sorrateira que nos leva de um segundo a outro para um diferente estado da matéria, perturba muitas vezes quem fica por aqui, e muda radicalmente a vida de todos ao redor.

Não se sabe com certeza para onde vamos e porque vamos, só que vamos todos, e como dizem “a única certeza da vida é a morte”!

O que é uma das maiores ambiguidades, para morrer basta estar vivo! Todos nós temos um certo “prazo de validade”, alguns envelhecem e morrem , outros se vão cedo demais, outros ainda , na angústia ou no sofrimento desistem e se vão. Aliás, creio firmemente que o suicídio é um assunto que deveria ser amplamente discutido e não ser tabu!

Para os artistas, um prato de enigmas cheios de dogmas, medos, mistérios a serem desvendados, um verdadeiro “prato cheio” …

Muitas religiões e doutrinas falam da morte e todas as civilizações reagem a ela, ou fazendo obras para durar, contando suas histórias, aceitando ou não a morte, criando rituais para que a Morte seja leve, enfim…Cada um vê a morte como bem lhe parece!

Para mim a maior fascinação com esse tema é a ambiguidade e junto ainda traz a questão do tempo. Como  o tempo é realmente uma ilusão, rápido, num piscar de olhos estamos aprendendo a nadar, a comer, a nos expressar e, de repente, os cabelos ficam brancos , o corpo começa a falhar como um computador ultrapassado e um dia estamos mortos para uma vida toda, deixamos as pessoas que amamos e que nos amam, nossos pertences e nem o corpo levamos daqui…Isso gera ou não questionamentos !?

E, é claro! Daí surgem as obras! Lembro quando meu avô paterno, José Diana Sobrinho faleceu…Meu vô tinha lindos olhos azuis, daqueles que quando você olha para eles , o azul vai te envolvendo, e você esquecia totalmente que estava olhando já para um velho de mais de 70 anos, seus olhos eram brilhantes como quando ele era jovem…No velório, eu estava perto do caixão, quando minha vó se aproximou , colocou as mãos sobre o rosto dele e disse baixinho “ Ai, José, eu nunca mais vou olhar paras esses olhos azuis lindos que você tem! Para ela, nunca existiu o verbo “tinha” em relação à ele, foi amor à primeira vista e eles nunca se separaram…Para ela, ele estava ainda vivo em seu coração.

Eu que tenho uma dificuldade grande de chorar, engoli em seco e disso saiu um painel, que estou mostrando depois de anos para vocês aqui na coluna…

Como artista, a morte para mim é uma velha com uma guirlanda de ossos na cabeça, como as sacerdotisas celtas, mas ela também pode ser a figura de capuz com a foice em uma das mãos ou a figura sentada em seu cavalo amarelo do Apocalipse (em algumas culturas, o amarelo é a cor da morte) ou um anjo de asas…Mas, independente de qualquer visão que os artistas tenham tido, ela ganhou muitas e muitas versões, sempre envolta mistério e por vezes em brumas…

Alguma vez vocês viram alguma obra que falava da morte que foi tocante ou eu vocês odiaram? Mandem fotos!

E hoje meu desejo de uma boa semana para vocês fica com uma velha oração irlandesa, que parece que não, mas tem muito a ver com a morte e a vida:

“Que Deus o guarde na palma da sua mão. Que o caminho seja brando a seus pés. Que o vento sopre leve em teus ombros. Que o sol brilhe cálido sobre tua face, as chuvas caiam serenas em teus campos.  E até que eu de novo te veja, Que Deus te guarde nas palmas das suas mãos” …

Fica aqui minha homenagem para todos os artistas e as artistas que se foram e que nos deixaram grandes e significativas obras!

Angela Diana

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.

Fotos: acervo pessoal

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1 comentário

  1. Os trabalhos da Angela são incríveis. Conheço algos e as cores sempre são bem marcadas e expressivas, contrastes e formas que dão beleza e ao mesmo tempo causam estranheza, nos deixando intrigados e fascinados pelo que vemos.

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