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Arquitetura como identidade artística

Como já disse em outros textos, Londrina tem tudo para ser um polo cultural se os projetos para prédios públicos fossem realmente implantados e se as fundações como de Villanova Artigas assinassem documentos integrando esses projetos nas suas listas.

O que as pessoas, em geral, não percebem é a importância da arquitetura na identidade de uma cidade. Ela é, por assim dizer, o “RG” cultural do lugar.

O petit pave e o banco artesanal (Foto: acervo pessoal)

Londrina sofreu nesses últimos anos uma total descaracterização. Podemos citar o Calçadão, com seu petit pavê (de pedra) trocado por essa calçada horrorosa de cimento, que não tem a mesma beleza e durabilidade…Os bancos mais artesanais trocados por cimento sem vida e sem graça, floreiras que saem completamente fora da estética de um todo e os lugares de happy hour, de cafezinhos e de descanso – como uma sorveteria que tinha 40 anos de existência e que foi obrigada  a sair do Calçadão, assim como o Chopão, as bancas de jornais …

Quem se lembra do “tio do cachorro quente”, aquele que ficava em frente da Banca do Correio? Com aquele cachorro quente tradicional, com salada cozida de pimentão e tomate, tipicamente londrinense!

Ou, no final de tarde, reunir os amigos e ir tomar um chopinho no Calçadão? E enquanto isso encontrar todos os conhecidos passando por lá e quando a gente percebia, a mesa estava lotada com, pelo menos, umas dez pessoas.

Casas como dos Garcia ou a “Casa dos Sete Anões”, como era carinhosamente chamada, uma casa belíssima, muito bem construída, com aquele lindo jardim e as figuras dos sete anões e da Branca de Neve, da Disney…No Natal, a casa era toda enfeitada com luzes.

 Alias, essa é outra questão triste da nossa cidade: é na época do Natal que percebemos a pobreza da estética por aqui…Enfeites grotescos (com exceção, óbvio, do artista plástico Massuci, um dos melhores escultores que temos, que no Natal nos presenteia com anjos fantásticos e luminosos, seja na frente da Catedral ou nos jardins do centro), de resto, árvores de Natal mal acabadas, avenidas pobres de enfeites ou com “neve”, papais noeis mal trajados, com roupas vermelhas descendo de chaminés imaginárias, num calor de 40 graus. Enfeites mais que velhos, que poderiam ir para reciclagem.

E mais uma vez, pergunto: Por que não chamar os artistas daqui para projetos desse tipo?

Bom, de volta para o título, o que dizer da recuperação desses prédios históricos, das casas de madeira, de algumas ruas históricas, do mau aproveitamento das Conchas Acústicas do centro e do Zerão, das calçadas mal-cuidadas e perigosas, da falta de graça e da cor do cimento encardido?

E as fachadas dos prédios mais antigos, sendo dominadas pelas das lojas, carinhosamente chamadas “da china” pelos londrinenses, que são fixadas nas partes principais das entradas dos mesmos?

Prédios históricos sendo derrubados para virarem estacionamentos?

Aonde está a “cara” de Londrina? Os artistas e arquitetos daqui são depositários das imagens da cidade, da essência do londrinense. Por que, pergunto várias e várias vezes, não usar isso para criar projetos para melhorar e salvaguardar a memória e a identidade artística da nossa cidade?

E vou bater outra vez na mesma tecla desse velho conceito absurdo que “revigorar” ou “reformar” o espaço é destruir e descaracterizar ou pintar banquinhos de azul .

Chamem os artistas, criem projetos! Chamem nossos urbanistas, recuperem a memória, vamos apoiar leis que preservem a nossa história, temos profissionais excelentes aqui…. Poder público, cadê você?!

Londrina era vanguarda, era arte, era teatro, dança, música, prédios avançados, projetos bacanas…. Morar aqui era um orgulho…Agora, alguém se sente assim?

Revigorar e reconstruir o centro é primordial! Recuperar anos de descasos com o que nos faz londrinenses…

E, se você que estiver lendo esse artigo tiver alguma opinião, mande para coluna. Fale o que é ser londrinense pra você, qual o projeto urbano ou artístico que foi demolido ou estragado que marcou você , leitor , como londrinense?

Sua opinião, conta! Afinal , a cidade é de todos!

Por uma Londrina bela, artística e vanguardista!

E de “pé vermelho para pé vermelho”: vamos “ornar” e tornar tudo mais interessante!

Boa semana para todos!

Angela Diana

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.

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1 comentário

  1. Concordo quanto ao marasmo que se tornou a cidade mas discordo que essa mesma cidade que anseia ser metrópole tenha ficado “sem sal nem açúcar ou, quem dera, um pouquinho de pimenta” por conta exclusiva da administração pública.
    Claro que o administrador tem seu papel e, se lhe falta visão, talvez a tenha faltado aos londrinenes que o colocaram lá. Mas não se pode menosprezar o trabalho público por simples questão de gosto. Ao mesmo tempo que se critica as lojinhas “xing-ling”é preciso recordar da lei cidade limpa já com 2 dígitos de idade e lembrar como era antes dela, ou imaginar como seria sem ela, não somente nas pequenas lojas cujas fachadas teriam tamanho maior que a própria loja, escondendo a história da cidade, mas também pensar que foi essa lei que impediu certa rede de instalar grotestas estátuas de mal gosto na cidade.
    O projeto do calçadão, da mesma época da citada lei, foi idealizado pela equipe de engenheiros e arquitetos do IPPUL, londrinenes que pensaram numa forma de fazer algo mais prático à realidade do centro, preservando parte do petit-pavê que foi inspirado no calçadão à beira mar do RJ, mas que exigia ser cimentado para não soltar e ainda assim não suportava o impacto dos caminhões de mercadorias e coleta de lixo diuturnos do centro, restando apenas os vários buracos, quando não eram tirados pelos comerciantes para passar tubulações subterrâneas sem reposição.
    A realidade da cidade exige que a administração pública tenha praticidade ao pensar e projetar pois certamente não a terá ao executar e manter pois a necessária rigidez dos processos licitatórios dificultam o trabalho. A mesma licitação impossibilita o uso rotineiro de trabalhos exclusivamente londrinenes em prol da impessoalidade.
    É curioso que nós brasileiros sempre esperamos que o governo faça tudo, diferente de muitos lugares onde o governo é mero coadjuvante das transformações. Ora, se quisermos mudar, mudê-mos!

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