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Os sommeliers de vacina

Finalmente tomei a primeira dose da vacina. E aconteceu tão rápido que mal tive tempo de assimilar a ideia. Liguei a televisão e lá estava a chamada. Nem acreditei que tinha chegado a minha vez. Mas chegou e aqui estou eu, esperando a transição de humana para réptil.

Fui vacinada com a AstraZeneca/Oxford e simplesmente não tive nenhuma reação. Fiquei esperando a febre e mal-estar que algumas pessoas têm, e nada. E descobri, estupefata, que algumas pessoas estão evitando esta marca de vacina, justamente pela reação. Sim, os cidadãos vão até o posto de vacinação, preenchem a ficha, pegam a senha e na hora da aplicação, simplesmente desistem. E quem me contou foi a enfermeira.

Os sommeliers de vacina estão a solta. No meio de uma pandemia. Estão rejeitando as fabricadas pela AstraZeneca, justamente pelos efeitos colaterais.

A confusão se dá porque que a vacina produzida pela Universidade de Oxford (Reino Unido) usa uma tecnologia conhecida como vetor viral não replicante. Ou seja, utiliza um “vírus vivo”, como um adenovírus (que causa o resfriado comum), que não tem capacidade de se replicar no organismo humano ou prejudicar a saúde. Daí a confusão dos ‘espertinhos”.

Este adenovírus também é modificado por meio de engenharia genética para passar a carregar em si as instruções para a produção de uma proteína característica do coronavírus, conhecida como espícula. E a mágica acontece ao entrar nas células: o adenovírus faz com que elas passem a produzir essa proteína e a exiba em sua superfície, o que é detectado pelo sistema imune, que cria formas de combater o coronavírus e cria uma resposta protetora contra uma infecção.

Inicialmente, a AstraZeneca e a Universidade de Oxford anunciaram dois resultados distintos de eficácia —62% quando aplicada em duas doses completas e 90% com meia dose seguida de outra completa. Segundo pesquisas, a eficácia é de 70%. O imunizante, segundo a empresa, se mostrou seguro e 100% eficaz contra casos graves da doença, que precisam de internação de pacientes. Daí a sua importância.

A vacina foi criada no Reino Unido em uma parceria entre a Universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZeneca. No Brasil, houve a transferência de tecnologia para Bio-Manguinhos, a unidade produtora de imunobiológicos da Fiocruz. Ou seja, temos tecnologia e segurança. Portanto, quem não toma, além de irresponsável, é burro. Prefiro virar jacaré.

Raquel Tannuri Santana

Foto: Acervo pessoal

É jornalista, fotógrafa e cronista. Escreve esta coluna de segunda, com assuntos de primeira.

Foto: Agência Brasil

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