Skip to content

Pesquisa mostra que quase 50% das mulheres já sofreram assédio no Carnaval

Levantamento foi realizado com 2 mil internautas e a faixa mais jovem é a mais assediada

O LONDRINENSE com assessoria

De acordo com pesquisa de abrangência nacional com internautas realizada pelo IBOPE Inteligência, 48% das mulheres declaram já ter sofrido algum tipo de assédio, constrangimento ou importunação sexual em alguma festa de Carnaval, considerando apenas as internautas que já foram em celebrações carnavalescas (tais como blocos, desfiles de rua ou em sambódromos, trios-elétricos, eventos em lugares fechados etc.). Dentre as mulheres de 16 a 24 anos, esse resultado é ainda mais significativo: 61%.

A pesquisa foi realizada entre 31 de janeiro a 6 de fevereiro, por meio de questionário estruturado aplicado em painel on-line. Foram realizadas 2000 entrevistas, de abrangência nacional, com mulheres e homens, maiores de 16 anos, das classes ABC. A pesquisa apresenta erro amostral de 2 pontos percentuais, considerando nível de confiança de 95%.

Dentre as mulheres que declaram já ter passado por alguma dessas situações, 50% afirmam que o constrangimento foi verbal, cerca de 22% relatam que o constrangimento foi físico e outras 28% que as situações sofridas foram tanto verbais quanto físicas.  

Comportamentos machistas

A pesquisa mostra também que comportamentos machistas estão presentes na festa popular: para 29% dos homens, uma mulher que usa roupas ou fantasias curtas não pode reclamar se receber uma cantada, afirmação com a qual 20% das mulheres também concordam. Neste caso, o é percebido uma discordância em relação a esse comportamento, maior dos jovens do que dos mais velhos (61% dos jovens de 16 a 24 anos discordam totalmente dessa afirmação versus 48% dos respondentes de 35 a 54 anos e 43% dos respondentes acima de 55 anos).

E sobre outras afirmações, cerca de um em cada cinco homens (18%) concordam que roubar um beijo de surpresa em uma festa faz parte da paquera, 15% acreditam que é um elogio chamar uma mulher desconhecida de “gostosa” em uma festa e 9% consideram que segurar pelo braço é um jeito comum e aceitável de um homem abordar uma mulher em uma festa.

Para Soraia Amaral, gerente de atendimento e planejamento de consumo e serviços do IBOPE Inteligência, os dados revelam que “mesmo vivendo em um momento de discussões impulsionadas pela fala mais expressiva das mulheres e uma preocupação das empresas e das marcas em como se posicionar diante desse cenário, ainda somos um país com reflexos de um machismo estrutural e preconceitos enraizados”.

“O que percebemos são diferenças geracionais que destacam a conscientização maior dos jovens sobre o assunto, mostrando a sua importância no processo de desconstrução desse machismo estrutural. Os dados da pesquisa no contexto de Carnaval só evidenciam o comportamento cotidiano em relação ao machismo”, diz a gerente.

“Assédio sexual” e o “crime de importunação sexual”

Quando questionados sobre o quanto conhecem a expressão “assédio sexual” e o “crime de importunação sexual”, os respondentes indicam estar mais familiarizados com o senso comum sobre assédio sexual. Enquanto 59% afirmam saber bastante sobre assédio sexual, somente 28% dos internautas brasileiros declaram saber bastante a respeito do crime de importunação sexual. Ainda que, no linguajar cotidiano, os termos sejam utilizados como sinônimos, juridicamente são considerados distintos.

Ainda assim, mais da metade dos internautas brasileiros já presenciou situações de constrangimento sexual em alguma festa de Carnaval, conforme declaram 55% dos internautas. Em relação a essas situações, 44% foram agressões verbais, 18% foram físicas e 38% foram tanto verbais quanto físicas.

Dentre os diferentes tipos de celebrações carnavalescas, a pesquisa também indica que os blocos de rua são os que atraem mais foliões, uma vez que 28% dos internautas costumam ir em bloquinhos, resultado que alcança 35% na faixa etária mais jovem (16-24 anos). Há também quem prefira não participar de festas ou apenas viajar: 41% declaram não comemorar o Carnaval e 16% aproveitam o feriado para apenas viajar com famílias e amigos.

Foto: VisualHunt

Compartilhar:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Designed using Magazine Hoot. Powered by WordPress.