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Ela salva a vida de animais muito especiais

A londrinense Ana Poyer dedica-se a acolher cães e gatos desprezados nas ruas, principalmente aqueles com  deficiências físicas e doenças graves

Antônio Mariano Júnior

Equipe O Londrinense

Clarice Lispector, Maria Eduarda e Pipoca são criaturas especialíssimas. Necessitam de zelos maiores, melhor dizendo. A primeira sofre de incontinência urinária, a segunda não tem uma pata e a terceira utiliza uma prótese com rodinhas para se locomover.

Vive feliz da vida o trio canino juntamente com os “manos” Robson, Charles, Murilo, Lady, Bianca, Theodora e uma tal SuriCat, entre outros. Tudo junto e misturado.

Raças sem definições acolhidas por uma das muitas criaturas crescidas de coração. Resolvemos contar a história de Ana Poyer, londrinense de 34 anos de idade. Que desde os seis anos de idade, com o consentimento e solidariedade da família, dedica-se a promover o bem-estar dos bichos.

Calcula ter recolhido e encaminhado para adoção mais de 400 animais, principalmente gatos e cachorros abandonados. “Resgatei e encaminhei também [aos órgãos competentes], por exemplo, ouriços, tatus, corujas e gambás”, frisa. “Quase fui presa, certa vez, por resgatar um animal vítima de maus-tratos”, complementa Ana

Ela é uma protetora voluntária de animais, atividade desempenhada por homens e mulheres abnegados. Pelas mãos dessas pessoas, bichos desprezados, principalmente em vias públicas, são acolhidos, zelados, acarinhados, feridas fechadas – inclusive por fora. Encaminhados a um novo lar.

A protetora mora com a mãe, Estela, numa casa térrea. Ambas cuidam de 41 animais com idade calculada entre oito meses e 17 anos, recolhidos na rua de Londrina. São 27 gatos e 14 cães – dois filhotes de gato e um cachorro estão destinados à adoção.  “Reconheço cada um pelo latido ou pelo miado”, afirma.

No entanto, Ana parece lançar um olhar mais amoroso aos animais com necessidades especiais. Cuidam, ela e a mãe, atualmente, de onze felinos e caninos com algum tipo de deficiência física e/ou doenças incuráveis. “Muitas pessoas bateram palmas em casa, com um animal dentro de uma caixa. Acolhi porque certamente seriam abandonados, caso eu dissesse não”, informa.

“Ter dó não basta”

Sansão e Fiona possuem nódulos cancerígenos. Vida, uma gata pretinha linda, não tinha uma orelha. Além de amputações e/ou paralisia de membros, há gatos e cães, por exemplo, com problemas cardíacos, surdez, colapso de traqueia, entre outros males.  Convivem com animais isentos de cuidados especiais. Todos, no entanto, recebem alimentação, cuidados veterinários e carinho.

Graduada em Administração, Ana Poyer deixou de exercer funções em sua área de atuação para cuidar dos seus “filhotes”. Os ganhos mensais provêm do trabalho em um Pet Shop (meio período), que são complementados como cuidadora de animais e como promotora de eventos.

Os gastos mensais ultrapassam R$ 1 mil destinados à ração e vermífugos, não incluídas as vacinas. “Num trabalho fixo [em período integral] não conseguiria dar a atenção necessária para manter esses animais vivos”, analisa.

Admirável a dedicação de voluntários no acolhimento de bichos. Muitos desconhecem, entretanto, os perrengues financeiros enfrentados em nome de uma causa nobre, de fato.

Quando a situação realmente aperta, auxílios são solicitados nas redes sociais, ações entre amigos ganham as ruas, vida social e compras pessoais ficam em segundo plano. Ana não conseguiu, até o momento, comprar um outro aparelho celular indispensável para sua atividade voluntária

Estima-se que, em Londrina, há cerca de 50 mil animais de rua. Para Ana Poyer, Londrina precisa de um hospital público para animais e, prioritariamente, de um Centro de Zoonoses.

“Todos os protetores estão endividados por conta de uma demanda [acolhimento] que deveria ser de responsabilidade do Poder Público”, atesta. Mesmo assim, ainda segundo ela, os voluntários não medem esforços para salvar vidas de animais abandonados. “Qualquer pessoa pode fazer isso. Sentir dó não salva ninguém, é preciso atitude”, ensina.

Ela sabe o que fala! Precisa ser ouvida com muita atenção!!

Fotos: Arquivo Pessoal

[trabalhar como protetores]

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2 Comentários

  1. Trabalho maravilhoso. Sabemos o quanto é difícil conseguir um lar responsável para qualquer animal; a situação fica mais delicada quando temos em mãos um animalzinho com necessidades especiais. Parabéns, Ana.

    1. Sim, eh um trabalho de “formiguinha” ..mas não podemos desistir .. temos q educar a sociedade e mudar algumas culturas sobre responsabilidade de se ter um animal, orientar sobre a castração..se não apenas estaremos “enxugando gelo” ..infelizmente ..
      Mas vamos ser otimistas q um dia tudo isso irá mudar!!

      Mto obrigada pelo seu comentário, gratidão!!

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