Cadê os filmes do Oscar?

Por Marcelo Minka

O novo filme do Homem-Aranha dominou 80% dos cinemas da cidade por semanas. Agora, o novo filme do Batman está em exibição em praticamente 90% das salas, e tudo indica que vai continuar por semanas porque está arrecadando muito dimdim. Nas salas que sobram, apenas filmes menores. Cadê os filmes que concorrerão aos prêmios da academia de Hollywood?

Entre esses filmes menores, um não tão menor assim, diria que até grande, é a produção nacional Vale Night, que vai na contramão do senso comum retratado nos telejornais, novelas e filmes brasileiros ou sobre o Brasil: a favela somente como ponto de compra de drogas, crimes e estupros, como se essas coisas não acontecessem em outros, e muitos, lugares metropolitanos.

O longa metragem traz duas perspectivas diferentes para a cena cinematográfica nacional: além de retratar as comunidades sob uma perspectiva diferente, sem aqueles estereótipos pesados no qual inserimos as favelas, é uma comédia leve, não do tipo pastelão ou do tipo programa de humor da rede globo, cheio de personagens hiperbólicos.

Dirigido por Luis Pinheiro (Mulheres Alteradas – 2018), a o roteiro mostra os perrengues do cotidiano de cidadãos honestos (ia usar a expressão “cidadãos do bem”, mas esta está totalmente corrompida por aqueles que não moram em favelas). Pinheiro desenrola a trama de maneira linear, simples e direta, sem malabarismos técnico-conceituais, mostrando a vida de um casal vivenciado por Pedro Ottoni (Pai em Dobro – 2021 – Netflix) e Gabriela Dias (Cidade Proibida – 2017).

A grande questão do filme é a quebra de alguns paradigmas, tanto da favela quanto dos relacionamentos amorosos. Nele, o casal principal representa grandes opostos dentro da relação, enquanto o pai “brinca” de trabalhar, a mãe cuida dos filhos e do lar. E entre altos e baixos, presenciamos os bailes funk sem pessoas ostentando fuzis, as vielas infindáveis, as amizades dos vizinhos e como as pessoas cuidam umas das outras.

Em um fim de semana nublado, dá até para sorrir, sabendo que o cinema nacional não está enterrado. Lembrança que dói; Fernanda Montenegro concorrendo ao Oscar por Central do Brasil, e perdendo para a branquela e inexpressiva Gwyneth Paltrow no insípido Shakespeare Apaixonado, em 1988.

Marcelo Minka

Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas.

Foto; Divulgação

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