As fake news e o nono mandamento cristão


A notícia que leio e me motiva a escrever a Dica Filosófica de hoje diz que grupos evangélicos pró-Bolsonaro criam e compartilham fake news contra o ex-presidente Lula e o ex-juiz Sérgio Moro, dois dos quais acreditam ser as ameaças da reeleição do atual presidente. Não quero entrar aqui no mérito de julgar se um, outro ou o terceiro sejam aptos ou dignos de ocupar o cargo a que são pré-candidatos. Mas, muito me entristece que grupos cristãos – porque inúmeros católicos ou fieis de outras denominações também participam disso – tenham se esquecido de um dos Dez Mandamentos, mais precisamente o nono: “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo”.

Sei que a prática de enviar notícias falsas é viral e acontece diariamente. Eu mesmo já fui vítima disso e, a depender da informação, pode ser prejudicial e irreversível. Então, não me entra na cabeça como é que pessoas que se dizem seguidoras de Cristo ajudem a propagar notícias falsas apenas para desestimular as pessoas a votarem nesse ou naquele candidato, qualquer que seja. Isso não é correto. E o próprio Cristo foi vítima disso em sua época e ao longo do tempo. Quem não se lembra de um episódio bíblico em que Jesus pergunta aos apóstolos: “Quem dizem os homens que eu sou?”.

As respostas denunciam as maiores fake news contra Jesus: alguns diziam que era João Batista, enquanto outros falavam que era o profeta Elias ou alguns dos outros profetas. Além daquela teoria que diz que Maria Madalena foi amante de Jesus, com quem teve não sei quantos filhos. Ah, não podemos nos esquecer da fake news institucionalizada, que mostra o nazareno, que viveu na região hoje conhecida como Oriente Médio, de olhos azuis e cabelos lisos, o que seria praticamente impossível dado o biótipo dos homens da região. Dessa forma, é muito triste ver pessoas que deveriam defender a verdade, compartilhando mentiras, contra quem quer que seja.

De fato, não se pode ignorar que Lula ou Moro tenham tido desvios éticos ou feito coisas erradas ao longo de sua trajetória. Mas, isso não dá o direito de quem quer que seja difamá-los a partir de fake news. Ao que parece, não aprendemos a lição das eleições de 2018 nem o que aconteceu durante o mandato de Bolsonaro ou de Donald Trump, nos Estados Unidos. Era preciso um esforço governamental, das autoridades e das empresas de mídia e comunicação, para evitar tudo isso e cortar o mal pela raiz. O que foi feito até agora, parece que não foi suficiente.

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

Foto: Pixabay

Compartilhar:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.