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A replicação em massa dos projetos arquitetônicos

Por Mariana Coppo

Você já reparou que, hoje em dia, as fachadas dos edifícios são muito parecidas? E se nós disséssemos que não é só a fachada, mas sim o projeto como um todo? É uma tendência crescente nos centros urbanos, que merece nossa atenção e crítica. A replicação em massa de projetos arquitetônicos, muitas vezes realizada por construtoras ou até mesmo escritórios de arquitetura ou engenharia, está criando uma paisagem urbana cada vez mais monótona e sem  originalidade.

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Tudo isso é motivado pela constante busca por lucros rápidos e fáceis. As construtoras e escritórios de arquitetura ou engenharia muitas vezes optam por replicar projetos que já provaram ser financeiramente bem-sucedidos, economizando tempo e recursos. Essa abordagem, embora compreensível do ponto de vista dos negócios, muitas vezes sacrifica a diversidade e a originalidade arquitetônica apenas em prol do retorno financeiro.

O maior problema disso tudo, na visão de uma profissional na área, é que esses projetos arquitetônicos não personalizados não levam em consideração os gostos nem o programa de necessidades daqueles que vão utilizar o edifício.

Replicação em massa: ambientes monótonos

A replicação em massa de projetos arquitetônicos por construtoras e profissionais cria uma paisagem urbana monótona
Espaços devem ser adequados às necessidades dos moradores – Foto: Freepik

Essa falta de adaptação às necessidades individuais resulta em espaços que podem ser ineficientes, desconfortáveis e pouco funcionais para seus ocupantes. Na visão geral urbana, ambientes monótonos e repetitivos podem ser entediantes e desestimulantes, afetando negativamente a qualidade de vida e a relação das pessoas com suas cidades.

Vale a pena relembrar as casas coloridas e cheias de vida de antigamente, que eram verdadeiros marcos de originalidade nas cidades. Essas construções eram como pinceladas de arte em meio ao cinza das metrópoles, refletindo a individualidade e a criatividade de seus habitantes. Essas casas não apenas proporcionavam um visual pitoresco, mas também contavam histórias sobre as pessoas que viviam nelas, tornando cada rua um livro aberto para ser lido e apreciado. 

É preocupante perceber que as construtoras e os escritórios de arquitetura e engenharia estão se tornando cada vez mais impessoais. Caso esse caminho não seja repensado, pode tornar insustentável o padrão atual de repetição arquitetônica. Para isso, é essencial que arquitetos, engenheiros, construtoras e reguladores urbanos redescubram o valor da originalidade e da personalização na arquitetura. Somente assim poderemos preservar a riqueza da diversidade arquitetônica em nossas cidades e continuar a construir lugares que inspirem e reflitam as vidas e histórias das pessoas que nelas habitam.

Mariana Coppo

Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Estadual de Londrina, pós graduada em Arquitetura de Interiores pela Universidade Filadélfia, especialista e precursora em Arquitetura Sensorial ligada à neurociência. Siga-me no Instagram @marianacoppo.arquitetura e visite nosso site www.marianacoppoarquitetura.com. Whatsapp (43) 98855-6754

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(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINENSE.

Foto: Freepik

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