A Pegada Hídrica e suas consequências

Por Renato Munhoz

Seja bem vindo. Esta é nossa nova coluna Sustentabilidade, nO LONDRINENSE. Sou O professor Renato e quero, junto com você, dialogar sobre temas que nos rodeiam em relação ao Meio Ambiente e a Sustentabilidade. Este tem sido um assunto cada vez mais importante para ser debatido. Sempre em busca de soluções que dizem respeito a nossos comportamentos e nossos compromissos com a vida do planeta.

Assustados com a crise hídrica temos nos perguntado: o que está acontecendo com a água? Por que temos tido cada vez mais a escassez presente em nosso cotidiano?

A água é um bem natural finito. Sobretudo a água potável.  Do total, 95% da água estão nos oceanos. Cerca de 2% estão nas geleiras. Cerca de 1,6% estão no subterrâneo. A água potável é apenas cerca de 1% de toda água disponível na superfície da terra.

Todo cuidado com a água sempre foi necessário pelo simples fato de não termos disponibilidade em grande quantidade. Não bastasse a pouca quantidade, a água é afetada pelo desenvolvimento econômico. A medida em que aumenta a ocupação humana no globo terrestre, amplia-se o tamanho da “pegada hídrica”. A água é necessária para o desenvolvimento humano, tal qual o ar que respiramos. Essencial para a sobrevivência, para produção de alimentos e manutenção de todo Ecossistema. Não é só o ser humano precisa da água para sobreviver. Todas as espécies têm na água elemento de sobrevivência.

Pegada Hídrica é o tamanho do impacto gerado pela forma de utilização ou poluição das águas. A Pegada não pode ser maior que a quantidade de água disponível, isso nos levaria a um colapso.

Só para se ter uma ideia: para produzir 1 Kg de carne de porco o tamanho da pegada hídrica é de quase 6 mil litros de água. Um tomate sozinho, de cerca de 300 gramas, utiliza cerca de 50 litros de água até chegar à mesa. A irrigação, o consumo de água animal formam uma significativa pegada hídrica. Tudo isso atrelado ao processo de poluição das águas. Sendo que tanto a água na produção de alimentos e a água afetada pela poluição estão dentro dos menos de 1% de água potável disponíveis no planeta. Promovendo ainda mais a escassez de água para utilização humana.

Não bastasse as questões relacionadas o uso da água, a Pegada Hídrica está relacionada a Pegada Ecológica, que é toda ação humana que afeta todos os recursos naturais. A água não existe sozinha. Ela precisa de todo o Ecossistema para sobreviver. Diversos elementos presentes no Ambiente contribuem diretamente para a sobrevivência das águas. À medida que uma árvore é derrubada, a cada emissão de gases nocivos, o resíduo não tratado e não reciclado, afetam diretamente a potabilidade e disponibilidade da água.

 Outro fator que tem causado a ampliação da Pegada Ecológica é a ampliação das queimadas no Brasil. Em 2020, segundo o INPE, houve um aumento de 200% em relação a 2019 e de 320% em relação a 2018 de queimadas. A formação das chuvas, segundo pesquisas da USP, tem sofrido com as queimadas uma “ausência de umidificação”, interrompendo o ciclo de condensação e congelamento das águas. Impossibilitando a formação do ciclo das chuvas que advém da Amazônia. Diminuindo em cerca de 70% a probabilidade de chuvas em todo território nacional.

É preciso reduzir o tamanho da Pegada Hídrica. Isso pode ser realizado com a constituição de uma grande rede de responsabilidades, que envolvem desde o papel de cada ser humano no uso cotidiano da água, até de todos os atores públicos e privados, com a constituição de politicas públicas, a difusão da Educação Ambiental e fiscalização adequada combatendo a poluição e destruição dos mananciais.

Outras tarefas importantes podem ser tomadas sem muitos investimentos financeiros e com muito mais investimentos humanos. A preservação e proteção das nascentes. A constituição e reconstituição das matas ciliares, protegendo os rios, córregos e riachos. O armazenamento de água da chuva, possibilitando o reuso da água. São iniciativas que podem contribuir diretamente na diminuição do tamanho da pegada hídrica. É claro tudo isso atrelado ao uso consciente da água no cotidiano desde a torneira até o banho.

Leonardo Boff, teólogo engajado na luta ambiental e teológica, traz a relação da água como elemento sagrado. Constituir uma nova ética, capaz de preservar e cuidar, porque isso nos afeta diretamente. É o que é apontado por ele como Casa Comum. Ou seja, tudo que afeta o ambiente nos afeta consequentemente. E se nos afeta somos co-responsáveis pra que tenhamos um ambiente sustentável para todos os seres que estão sob a mesma tenda, chamada planeta água.

Renato Munhoz

Professor, teólogo historiador. Pós Graduando em Educação Ambiental e Sustentabilidade. Coordenador de Projetos do COPATI (Consórcio para Proteção Ambiental do Rio Tibagi)

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