A falta do que não aconteceu

Por Angela Diana

Alguma vez você já sentiu isso? Para quem conhece, essa frase é de uma musica do Legião Urbana e, como toda boa obra de arte, tem várias interpretações. Ela me veio à cabeça quando fui para o centro da cidade ontem… As ruas sujas, as calçadas tomadas pelos trabalhadores ambulantes, as lojas sem vitrines atrativas, o calçadão pela metade (metade com aquele piso horroroso de cimento e metade com petit pavê encardido) e vai por aí, como se diz!

Piso horroroso de cimento – Foto: Emerson Dias/N.Com

Minha mente de artista fez uma “varredura” e daí veio a velha questão: “e se…”

E “SE” tivessem mantido o calçadão com seus petit pavês, limpos, resguardando a história da cidade e nisso também entra a Catedral (não sei você, mas eu acho a antiga, em estilo gótico, muito mais exuberante) e que é construída para evocar a humildade humana perante a divindade.

E “SE” chamassem os artistas para fazerem esculturas, murais, grafites, pinturas, mosaicos por toda a cidade?

E ” SE” chamassem os urbanistas, arquitetos e paisagistas para refazerem os jardins, praças, canteiros pela cidade?

E “SE” chamassem os historiadores “experts” na história da cidade para recuperarem junto com esses arquitetos, urbanistas e paisagistas os pontos importantes e que são a “cara” da nossa cidade?

E “SE” colocassem uma usina de reciclagem modelo para todo o Brasil e mantivessem bairros e centro limpos, como as cidades europeias? Ok gente!!! Dai já quero demais, né? Porque isso é tanto projetos que funcionem para reciclar TODO o lixo da cidade e mudar a mentalidade de muitas pessoas, para entenderem que o que é PÚBLICO é de TODO MUNDO e TODO MUNDO deve cuidar! E pararem de jogar lixo na RUA!

E “SE” tivéssemos parques e prédios diferenciados,  construídos por arquitetos londrinenses junto com artistas, como o Parque Güell, na Espanha, saído da inspiração do grande arquiteto e artista Antoni Gaudí?

E “SE”, tivéssemos nossos museu funcionando e outros grandes museus como o Oscar Niemeyer de Curitiba (carinhosamente chamado de Museu do Olho), ou como o MASP de São Paulo?

Museu de Arte de Londrina -Foto: Vivian Honorato/N.COM

E “SE” tivéssemos grandes espaços, barracões próprios para cursos de artesanato, artes plásticas, música, dança, teatro…

E “SE” o projeto do Teatro Municipal saísse finalmente do papel e os outros teatros estivessem completamente equipados para todo tipo de espetáculo?

E “SE” realmente as Conchas Acústicas , o Bosque, Zerão fossem REVITALIZADAS e não somente com pedriscos nos caminhos e bancos pintados, mas um mega projeto, inclusive para o lago, reunindo artistas, arquitetos, urbanistas e paisagistas?

Até aqui você, minha queridas, queride e querido leitor está achando projetos impossíveis e mais um sonho da minha cabeça? Se estão eu vou explicar o porquê: NÓS NOS ACOSTUMAMOS COM TUDO DESGASTADO, QUEBRADO, SUJO E QUANDO QUALQUER GOVERNO “RESOLVE” DERRUBAR OBRAS HISTÓRICAS AS PESSOAS NÃO LIGAM!

Para se amar algo ou alguém é preciso intimidade, é muito importante conhecer! Ver! Sentir !Tudo o que eu escrevi aqui já foi feito em muitas cidades pelo mundo! Nós temos TODOS os profissionais necessários na cidade! Gente que ama Londrina, dá o sangue todo dia para essa terra vermelha…

Isso sem falar em todos os profissionais que estariam envolvidos nas obras, em mão de obra e tudo o que a cidade iria ganhar com isso.

Eu sempre achei que Londrina só vai ser um polo turístico quando assumirmos que aqui nasceu para primeiro ser um PÓLO CULTURAL!

Pense nisso!

Uma casa de taipa preservada em Blumenau (SC) – Foto: Diretoria de Preservação do Patrimônio Cultural/Fundação Catarinense de Cultura

Olhe para algumas cidades no Brasil que estão fazendo isso ou já tem essa cultura da preservação e do cuidado com a cidade.

Pesquise várias cidades pelo mundo! As que possuem governos que tem a “visão” e que fazem politica cultural e para o povo de verdade!

Porque esse povo COBRA por cada centavo de imposto que todos pagam! Pense!

Bom final de semana!

Angela Diana

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.

Foto: Parque Guell/Spain.Info

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