“Quem conhece o bem, age bem” (Sócrates)

Quem sabe o que é o bem, jamais poderia deixar de agir conforme o bem. Parece óbvio, não? Mas, nem sempre é assim. O pensamento de Sócrates, expresso na primeira frase deste texto, é o qual deveria nortear a vida das pessoas, principalmente aquelas que se dizem éticas. Entretanto, é tudo muito mais complexo do que se imagina.

Considerado o pai da filosofia, Sócrates assim o é justamente porque ele inaugura a chamada filosofia moral, o pensamento filosófico voltado às grandes questões do ser humano. Entre elas, a ética. O pensador acredita que o ponto de partida é a chamada consciência do agente moral, isto é, podemos definir a ética de uma pessoa a partir do seu conhecimento sobre o bem e o mal.

Pois, para ele, somente seria uma pessoa antiética aquela que é ignorante, ou seja, que ignora as causas e os fins (as consequências) de sua ação. Quem, todavia, compreende e tem consciência de onde vêm e para onde vão levar suas ações, certamente buscaria realizar o bem para alcançar a felicidade.

Não funciona assim, no entanto. Veja quantos políticos brasileiros sabem exatamente qual é o bem e, mesmo assim, escolhem agir mal? Quantos não deixam de investir em saúde, educação e segurança públicas para embolsar os recursos ou destina-los a investimentos que os beneficiem de alguma forma? E, o que é pior: sabendo que grande parte da população padece em hospitais sem recursos, em escolas sucateadas e com a segurança comprometida.

Parece clichê ou superficial, mas o exemplo é real e ocorre muito mais do que imaginamos. Não apenas nessa área política. Veja: por que insistimos em coisas que sabemos que nos fazem mal? Talvez à saúde, como o sedentarismo ou o tabagismo. Ou então emocionalmente, como em relacionamentos abusivos ou amizades não recíprocas?

Viu como a teoria de Sócrates é mais complexa do que parece? Ou é o ser humano que não facilita as coisas? Se colocássemos em prática um pouquinho do que filosofou o pai da filosofia, talvez o mundo fosse menos pior. Ainda dá tempo? Então, vamos em frente!

Foto: Pixabay

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

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