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Meus encontros de inspiração em Edimburgo

Por André Luiz Lima

Naquela noite de Páscoa, enquanto Londres se envolvia em sua própria magia, eu, movido por um impulso inexplicável, senti o chamado da Escócia, uma terra de mistérios antigos e lendas encantadas. Eu, muito jovem, havia partido para Londres em busca de novas experiências. Logo na primeira semana, com mais dois amigos recém-conhecidos nos aventuramos a ir para Edimburgo, na Escócia, de carona. Era uma aventura emocionante em um lugar completamente desconhecido, impulsionada pela coragem de explorar o desconhecido e sair da zona de conforto.

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Como acredito na conexão entre nossas vibrações e o universo, não foi surpresa quando um rapaz alemão, que vagava sem rumo com sua Kombi de cor bege escura, parou ao ver três jovens na estrada. Ali começou uma jornada que chamo de “realmente viver a vida”, repleta de descobertas e cuidado, desde o caminho até a estadia em Edimburgo.

Edimburgo, a cidade mais mística da Europa, com a força do século XIII, revelou-se mágica desde o primeiro instante. Seus castelos imponentes, histórias antigas e até mesmo um homem vestido de vampiro saindo de uma igreja capturaram minha imaginação. Era como se eu estivesse em uma iniciação, deixando pela primeira vez o Brasil e, vindo do sul, me encontrando no topo do mundo, com o inverno, a lua cheia e magias repletas de aprendizados.

Na jornada, enfrentamos o frio intenso daquele lado do planeta. Viajávamos em uma Kombi, sem um dos bancos traseiros, envoltos em acolchoados e blusas para nos aquecer. No entanto, apesar do frio, me senti acolhido, tanto pelo ambiente quanto pelo alemão que, apesar de já ter saído de minha memória, permanece em minha doce lembrança.

Antes de chegarmos à Escócia, fizemos uma parada em um pequeno pub na beira da estrada. A cena era como algo saído de um filme: um senhor em uma poltrona, um cachorro São Bernardo aos seus pés e outras pessoas jogando dardos ou apreciando um whisky. Essa experiência única me mostrou a importância de explorar novos lugares e encontrar pessoas incríveis, reforçando a ideia de que, apesar das diferenças, todos compartilhamos um mesmo sentimento de proteção e acolhimento.

Edimburgo: emocionante sob todos os aspectos

A chegada a Edimburgo foi emocionante, com o céu escuro iluminado pela lua cheia e as arquiteturas pontiagudas da cidade me fazendo buscar por Sherlock Holmes entre as sombras. Nosso hostel, com camas beliches e uma lareira na sala de estar que, embora tivesse teias de aranha, proporcionou um ambiente acolhedor, onde pude compreender o conceito de que, quando estamos em paz e felizes com uma nova experiência, ela se torna boa até o fim.

Depois de explorar as ruas e becos de Edimburgo, fui até o Monumento Nacional da Escócia em Calton Hill, conhecido como o “Partenon escocês”. Este imponente monumento inacabado foi pensado como uma homenagem aos heróis escoceses das Guerras Napoleônicas, mas hoje, com suas colunas majestosas e inacabadas, ele fala mais sobre sonhos não realizados e a beleza na imperfeição.

A verdadeira magia aconteceu ao entardecer, quando assisti a um dos pores do sol mais memoráveis da minha vida. Do alto de Calton Hill, o sol despedindo-se do dia transformou o céu num espetáculo de cores vibrantes que se refletiam sobre a cidade. Este momento, junto ao Monumento Nacional, foi uma poderosa lembrança da impermanência e da beleza que encontramos em nossas jornadas, refletindo a interação perfeita entre as realizações humanas e a grandeza da natureza.

Minha viagem a Edimburgo foi mágica. Cheia de encontros e cenários incríveis, a viagem marcou minha memória e ainda perrmanece nas minhas lembranças
Monumento Nacional de Calton Hill – Foto: Pixabay

Outra grande descoberta foi ao avistar o majestoso Castelo de Edimburgo, erguido no ponto mais alto da cidade, que senti uma conexão profunda com a história e a mística dessa terra. O Castelo de Edimburgo, com mais de mil anos de história, é muito mais do que uma simples fortaleza. Ele é um símbolo da resistência escocesa, tendo desempenhado um papel crucial em inúmeras batalhas e cercos ao longo dos séculos.

Além disso, o castelo é envolto em mistério e lendas, com histórias de fantasmas e presságios que ecoam pelos seus corredores antigos. Enquanto explorava suas muralhas centenárias e suas masmorras sombrias, pude sentir a presença dos que vieram antes de mim, testemunhando os eventos históricos que moldaram o destino da Escócia. Foi uma experiência única, que me fez refletir sobre a importância de honrar o passado e aprender com ele, enquanto seguimos em direção ao futuro.

Nossa jornada em Edimburgo continuou sendo repleta de momentos mágicos, como a noite em que nos unimos aos locais em um pub, cantando músicas dos Beatles. E, mesmo nos momentos mais inusitados, como o encontro com um homem elegantemente vestido de vampiro perto de uma igreja, percebi a importância do respeito pelas diferenças e da aceitação da diversidade em todas as suas formas.

Edimburgo – Foto: Pixabay

Ao partir da cidade, nos despedimos do nosso anjo protetor, o amigo alemão, e precisamos pegar outra carona. Mais uma vez, fomos abençoados pela sorte, encontrando pessoas para o nosso próximo destino. Antes de chegar a Londres, paramos em Nottingham, lendária por sua associação com Robin Hood, o fora da lei que roubava dos ricos para dar aos pobres. Esta cidade, envolta em mistério e encanto, parecia ter saído diretamente de um conto de fadas, com suas ruas de paralelepípedos e seu antigo castelo medieval.

Nottingham – Foto: Pixabay

Em meio a essa atmosfera mágica, Nottingham nos convidava a embarcar em uma jornada de descobertas, onde as lendas ganham vida nas ruas da cidade e os sonhos se transformam em realidade. Essa jornada pela arte dos encontros nos ensinou a valorizar cada momento e a importância de olhar para a vida com olhos de maravilha, tornando assim nossa jornada mais divertida e significativa, mesmo no meio das diversidades, pois viver é uma arte cheia de altos e baixos, mas podemos nos lembrar sempre dos momentos bons que estão registrados e que nos ajudam a seguir adiante.

Na minha volta para Londres, essa experiência abrindo caminhos para o que eu iria viver foi um bálsamo para confiar que tudo estava em ordem no processo. 

E assim sigo na arte dos encontros.

André Luiz Lima

Londrinense, ator, diretor, professor, palestrante e produtor cultural. Siga os Instagrans de André@allconnecting @aondevaiandre

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(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINENSE.

Fotos: Pixabay

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1 comentário

  1. Finalmente o retorno!! Para voar novamente em tua poesia!! Grata! Paola Luna Vellucci

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