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Nos Encontros: A arte das conexões pelo mundo

Por André Luiz Lima

Na coluna “A Arte dos Encontros”, vou desvendando as pistas presentes nas minhas experiências vividas com arte nos meus encontros pelo mundo, sempre atento aos detalhes e conexões. Desta vez, as mãos que se erguem para serem contadas são espanholas, em movimentos de flamenco, exibindo a beleza e a intensidade deste país tão encantador. Vamos aos encontros.

Para contar essa história, permitam-me traçar um caminho sinuoso, repleto de memórias e descobertas, que eu gosto de chamar de rotas, como um mapa que vai me guiando pelas histórias.

Minha primeira incursão na Espanha, a terra de Dom Quixote, foi marcada por uma imersão na região de Málaga, berço de Pablo Picasso. Lembro-me vividamente de ter a oportunidade única de vivenciar as festividades da Semana Santa, um evento reverenciado por desfiles de várias confrarias vestidas com capuzes e cores vibrantes. Essa riqueza cultural e artística deixou uma marca indelével em minha alma, moldando posteriormente meu monólogo “Como Morria e Ressuscitava Lázaro, O Lazarilho”, apresentado com paixão e fervor em Quito, Equador.

Lugano – Foto: Pixabay

Anos se passaram e me vi imerso em Lugano, Suíça, onde participei de uma reciclagem na renomada Escola Internacional de Teatro. Durante esse período de imersão, estava concentrado em explorar o poder das imagens oriundas de nossas memórias mais profundas. Recordações há muito adormecidas afloraram, transformando-se em poesia e beleza através da arte, revelando-me o privilégio singular de vivenciar tais experiências e, ao mesmo tempo, permitir que se dissipassem. Esse foi um processo delicado, orientado por mestres do ofício, onde minha atenção estava totalmente voltada para a expressão visual. A capacidade da arte em transmutar emoções difíceis em formas belas e significativas revelou-se uma ferramenta poderosa de transformação, impulsionando-nos em direção ao futuro e facilitando despedidas inevitáveis.

Conexões me levam de volta à Espanha

Pilar Velasco – Foto: Acervo pessoal

Ao concluir essa jornada de aprimoramento, senti o chamado para visitar minha querida amiga Pilar Velasco em Gijón, Espanha, cidade onde ela residia na época. Pilar, além de ser brilhante, é uma talentosa iluminadora de espetáculos, cujo dom é dar vida e atmosfera às histórias por meio da magia da luz. Ela havia iluminado meu espetáculo solo anteriormente, em Quito, colaborando para definir sua atmosfera. Recordar esse momento despertou em mim a profunda conexão que mantenho com a literatura espanhola ao longo da vida, uma relação que se revela de forma contínua e enriquecedora.

Partindo de Lugano, fiz uma breve parada em Bérgamo, na Itália, para pegar o voo que me levaria a Santander, na linda região de Astúrias, na Espanha, onde Pilar estava à minha espera. O encontro foi marcado por uma emoção intensa, encontrando-me com alguém que traz luz às histórias que merecem ser contadas. Fui muito bem acolhido em um forte abraço e me levou para Gijón, onde desfrutamos de momentos repletos de mimos, comidinhas, risadas e conversas.

No outro dia, fui conduzido por Pilar até um lugar muito especial para ela, simbolicamente seu lugar no mundo, situado em uma montanha à beira do mar, com uma paisagem de tirar o fôlego. Ali, testemunhei o espetáculo do pôr do sol, com seus tons dourados despedindo-se suavemente, prometendo retornar no dia seguinte para iluminar novamente. Essa experiência, compartilhada com Pilar, destacou a importância de encontrar luz mesmo nos momentos mais desafiadores.

Desvendando as pistas presentes, nas minhas experiências, vejo que minha arte e crescimento são feitos de detalhes e conexões
Símbolo da cidade de Gijín: elogio do Horizonte – Foto: Pixabay

Após esse momento de contemplação, fomos até um pueblo próximo que até hoje não sai da minha memória devido à beleza e ao charme do lugar. Lá, fui apresentado a um casal de amigos gentis que me convidaram para uma refeição, mergulhando nos sabores da região para nunca mais esquecer. Foi um jantar repleto de cuidado e proteção, revelando a essência e a história do lugar, como uma confissão íntima reverenciando seus antepassados.

Foto: Pixabay

Ao voltarmos para casa, em um momento de distração, percebi que havia deixado meu casaco azul perto do mar. Retornei para recuperá-lo e, ao encontrá-lo pendurado em uma cerca, refleti sobre seu significado como um símbolo de abrigo e proteção. Naquele dia, realmente dormi em paz.

No dia seguinte, fui caminhar sozinho pela cidade que impressiona. Enquanto explorava Gijón, entrei em uma livraria e me deparei com o livro “El Arte de La Prudencia”, de Baltasar Gracián. A obra, publicada há mais de trezentos anos, ainda ressoa como um manual prático de sabedoria e sobrevivência, destacando a importância da prudência e da flexibilidade na vida. Essas experiências, desde a jornada na Suíça até os encontros em Gijón, revelam a complexidade e a beleza da vida, mostrando como a arte e a conexão com os outros podem nos guiar em direção à compreensão e ao crescimento pessoal. Cada encontro, cada experiência, nos oferece pistas sobre o caminho que devemos seguir, permitindo-nos encontrar luz mesmo nas sombras mais densas. E assim, continuamos nossa jornada, curiosos para descobrir para onde ela nos levará em seguida.

Viva a arte dos encontros.

André Luiz Lima

Londrinense, ator, diretor, professor, palestrante e produtor cultural. Siga os Instagrans de André@allconnecting @aondevaiandre

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(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINENSE.

Fotos principal: Freepik

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2 Comentários

  1. Este teu artigo alimentou a minha vontade de continuar me surpreendendo. Grata!!

  2. Que delicia essa viagem pela Espanha.
    Encontros maravilhosos.
    Belo texto.
    Bjs

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