Young Royals – Uma pérola no meio de tanta lama

Assim como eu, muitas pessoas já devem ter passado por esta experiência, navegar entre os streamings procurando algo de qualidade para assistir… 10 minutos, 30 minutos, 45 minutos… e acabar irritado por não encontrar nada ou começar a assistir alguma porcaria porque está cansado de procurar, o que acaba nos dessensibilizando. Principalmente as séries que tem como público alvo os adolescentes, ali é o lixão dos streamings, é procurar agulha num palheiro, digo, lixão. Neste nicho, as produções são cópias uma das outras e tratam o espectador como retardado mental.

A série sueca Young Royals, dirigida por Erika Calmeyer (Lea – 2014), estreia no streaming Netflix com um carimbo na testa, embrulhado e envelopado como se fosse uma série para adolescentes. O que dificultou ainda mais a procura por algo bom. Parece que quem define o público alvo das produções realmente não assiste as produções, vê somente os trailers. Mas não se engane, Young Royals não é uma mistura de Gossip Girl com The Crown ou qualquer coisa do tipo, é bem mais que isso (não desmerecendo The Crown).

Confesso que só comecei a assistir porque a produção é escandinava e eu queria conferir se o lixo de lá é igual ao lixo de ali. Mas, grata surpresa, encontrei uma pérola. Royals conta a história de um príncipe da família real sueca no auge de seus dezessete anos. O príncipe consegue levar uma vida relativamente normal, como a nossa de meros mortais, até o dia em que se envolve em uma pancadaria de fim de noitada e um vídeo sobre a briga viraliza nas redes.

A partir daí, Wilhelm, o principezinho, muito bem interpretado por Edvin Ryding (Love Me – 2019) passa a estudar em um internato, onde todos os membros da família real sempre estudaram. Wilhelm passa a conviver com o que menos queria, pessoas milionárias, esnobes, aristocratas. Para piorar a situação, no mesmo local estuda um primo idiota que se aproxima dele e tenta organizar sua vida. Mas, lembre-se, a situação sempre pode piorar. O príncipe se envolve emocionalmente com um rapaz que estuda ali, um latino inteligente que ganhou uma bolsa de estudos e é alvo do bullying do primo idiota.

Até aí a série se parece mesmo com Gossip Girl. É a partir do segundo episódio que a trama se intensifica de maneira inteligente. Parando por aqui para não haver spoilers. Prepare-se para ficar cada vez mais comovido, capítulo após capítulo. Organize as cobertas e prepare a pipoca.

Marcelo Minka

Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas.

Foto: Divulgação

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