Voltar ou não voltar, eis a questão!

Parafraseando o dramaturgo inglês William Shakespeare, o título deste texto revela uma questão profunda, complexa e sem respostas prontas: devemos voltar as aulas e atividades presenciais na educação brasileira, com protocolos de segurança e saúde contra o coronavírus, ou tudo ficará suspenso até sabe Deus quando? O problema é que essa questão é muito mais profunda do que imaginamos, porque opõe dicotomicamente o protagonismo e a desvalorização do professor.

Nos últimos anos, a figura do docente foi diminuída e desvalorizada, seja pelos gestores escolares ou pelos governos, que culpam os professores pela ineficácia da educação brasileira. Entretanto, quando tivemos de enfrentar a realidade pandêmica do ensino virtual, percebemos o quão importante é a função e o protagonismo do professor. Ficou evidente, todavia, que mais uma vez ele foi deixado de lado. O resultado disso? Os alunos não aguentam mais assistir aulas virtualmente e os gestores querem retomar logo as atividades presenciais.

Mas, será que essa é a solução? As escolas estão correndo atrás de se adaptar rapidamente e aplicar os protocolos de saúde contra o coronavírus. Ao contrário, você já viu algum gestor ou governo discutir como retomar o protagonismo do professor ou como implantar estratégias para recuperar o tempo e o aprendizado perdidos dos estudantes? Tudo isso nos mostrou que o processo da educação à distância, o ensino presencial e a educação híbrida devem ser modificadas, melhoradas, potencializadas.

Assim, resgatamos o protagonismo do professor e o engajamento dos alunos. E aí temos um cenário ideal para a retomada da educação, que passa pela formação e atualização dos docentes. Só assim os professores poderão se conectar com seus alunos e engajá-los no conhecimento. A culpa, portanto, não é do professor. Tampouco do estudante. A culpa é de um sistema que, constantemente, desvaloriza a figura educacional e protagonista do professor. Precisamos transformar esse sistema. Daí, sim, responderemos à pergunta: voltar ou não voltar?

Tiago Mariano

Formado em História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), pós-graduado em Ensino e História. Com mais de 15 anos de experiência em sala de aula de diversos colégios públicos e particulares de Londrina e Cambé, é coordenador das startups londrinenses EducaMaker, Educação Criativa e Aagro, além de manter o canal no Youtube Prof. Tiago Ledesma Mariano. Em 2018, foi premiado pela Google for Education (2018) com o primeiro lugar nacional no Programa Boas Práticas pela criação de um método de formação de alunos de alta performance. Já foi diretor de tecnologia e inovação educacional da Secretaria Estadual da Educação (SEED) e coordenou a construção do novo catálogo nacional de cursos técnicos do Ministério da Educação (MEC).

Foto: Pixabay

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