Vai para o trono ou não vai?

Na última sexta-feira, Pelé fez 80 anos. Como eu me recuso a separar o Edson Arantes do Nascimento do atleta, não comemoro nada que se relacione a ele. E não, não adianta querer vir defender alguém que só foi craque em campo e na vida real, é um bosta.

Muita gente sabe que Pelé, além de ter compactuado com a Ditadura, rejeitou a paternidade de duas filhas. Sandra, uma delas, recorreu do processo de reconhecimento por 13 vezes, mesmo o teste de DNA tendo dado positivo. A moça morreu, a vida dele seguiu, como se nada tivesse acontecido. Ele nunca quis ter contato com a moça, fruto de um relacionamento com a empregada. Casa grande às avessas.

Desculpem, mas não sei separar o homem do atleta.

Como toda unanimidade é burra, já dizia Nelson Rodrigues, prefiro ser exceção. Chamou de Rei, já desconfio. Vide Roberto Carlos, outro monarca em trono de lata. Cupincha da Ditadura e puxa-saco do presidente Figueiredo, transitava por Brasília em pleno regime atrás de favores. Nos anos de chumbo, ele foi condecorado com a Medalha do Pacificador, ocupou cargos em conselhos do governo, livrou-se da censura com a ajuda do ministro da Justiça e foi contratado pelo Exército para atuar em inúmeros shows em homenagem à Revolução. Enfim, um lambe botas.

Brasileiro tem mania de coroar plebeus. É Rei do baião, Rei do Cangaço, Rei do Rap, Rei das Falcatruas. Na falta de um adjetivo melhor, sobe no trono. Também tem os príncipes e os imperadores. No Brasil, o sangue azul corre solto nas veias plebeias. A monarquia ainda impera por aqui.

Outra categoria entronada pelos brasileiros são os líderes religiosos. E lá estão eles envolvidos em escândalos de corrupção, pedofilia, enriquecimento ilícito, entre outros crimes. A lista é tão grande que é impossível citar todos. Para ficar no caso mais recente, basta lembrar de João de Deus, incensado por famosos e anônimos e hoje condenado por vários crimes, entre eles o de abuso sexual.

Para ficar bem claro, vamos lembrar o que significa ser um rei. Um rei, (no feminino: rainha) é um chefe de estado que ocupa um trono real ou ainda o súdito de um imperador, por exemplo. Pode ou não, dependendo do estilo de governo de uma nação ou país, ser um soberano de um outro reino, deter o exercício de poderes monárquicos sobre um território designado de reino sob uma política governamental conhecida por monarquia. Ou seja, se você não nasceu em uma família imperial ou não herdou nenhum reino, você não é rei de nada.

É bom ficar atento, pois parafraseando o dito popular, em terra de cego, quem é esperto, é coroado.

Raquel Santana

Já foi jornalista, acha que é fotógrafa, mas nesses tempos de Covid-19 ela só quer sombra e água fresca no aconchego do seu lar. Vendo seriados, óbvio!

Foto: Mike no Pexels

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