Um Coringa alucinadamente grande

Esta semana estreou o aguardado Coringa, drama pesado dirigido por Todd Phillips (Se Beber Não Case! – Nasce Uma Estrela) e protagonizado por Joaquin Phoenix. Aliás, depois de tanto barulho da mídia durante meses, o que se tem a dizer é que não há muito o que ver além da brilhante atuação de Phoenix, digna de Oscar, que emagreceu 23 quilos para o papel. Uma atuação esplêndida que faz o filme ser muito bom.

Temos que considerar que o Coringa é um dos vilões mais intrigantes já encontrado nos quadrinhos, com várias leituras interessantes, desde Heath Leadger e seu Coringa anarquista que ganhou um Oscar póstumo, passando por Jack Nicholson, até Cesar Romero com sua versão infantilizada nos anos 60. Com Phoenix não acontece diferente, ele estrutura um personagem muito singular, jamais visto nas telas: macabramente inocente e ao mesmo tempo louco, completamente instável e que sofre de síndrome de afeto pseudobulbar (rir em momentos inapropriados, movimentos involuntários da face, instabilidade emocional).

Após ganhar o Leão de Ouro do Festival de Veneza, o filme sofreu várias críticas pela violência extrema. Para a revista Time, Coringa quer ser um filme sobre o vazio contemporâneo, mas se torna um exemplo primário desse vazio. A Vanity Fair criticou o filme como sendo um panfleto irresponsável. Alguns acusaram o roteiro de ser uma apologia ao movimento “incel” (homens celibatários e raivosos que não conseguem se relacionar e culpam as mulheres por isso). Muitos cinemas dos Estados Unidos estão proibindo fantasias de Coringa durante as sessões e a polícia está enviando mais policiais para os cinemas como medida de precaução.

A fotografia do filme é linda, diretamente influenciada pelos filmes urbanos de Martin Scorsese, principalmente por Taxi Driver (1976) com suas ruas sujas e desarranjadas. O roteiro discute loucura e sociedade e reflete muito bem o momento de desagregação social em que vivemos. Provavelmente o filme será usado como referência para loucos que gostam de exercitar seu ódio nas discussões políticas em redes sociais.

Não espere assistir a um filme de herói como os outros do gênero, a película é uma experiência em que se mergulha levado pelo protagonista, lenta e profundamente. O ator toma o filme para si, construindo um personagem com tanta força e fica tão grande que sobra pouco espaço para o diretor trabalhar. Filme ambicioso demais para um diretor de menos, vale a pena assistir pela atuação de Phoenix.

Foto: Divulgação

Marcelo Minka

Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas.Compartilhar:

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