Tia Telma Responde – Tenho a maior vontade de fazer swing mas tenho medo. O que faço?

“Tenho a maior vontade de chamar meu namorado para irmos a um clube de swing mas tenho medo de ser obrigada a participar se não quiser ir até o fim. Como proceder nesses casos? Você já foi? Como é?”

Como a maioria dos seres humanos adultos e sexualmente ativos, devo confessar que eu também sempre tive curiosidade de conhecer um clube de swing. Uma vez, tentei até organizar uma caravana de amigas para irmos juntas mas não rolou. Na hora, desistiram. Afinal, podiam encontrar conhecidos por lá. Haha! Acabei indo com um amigo, cujo interesse era tão grande quanto o meu mas que não estava disposto a pagar quase R$ 200 para entrar sozinho. Em casal, o preço fica um quarto disso, mais ou menos. Mas combinamos antes: vamos só ver. Sim, você pode ir a um clube de sexo e não fazer sexo, olha que novidade!

O swing, para aquelas três pessoas do mundo adulto que não conhecem, é a prática da troca de casais. Podem ser dois, três, quatro, 200 casais participando. Ou apenas três pessoas. O tal do menáge. Um clube de swing é um local adaptado para receber esses 200 casais na cama. Existem há milênios. E podem ser informais – realizados em casa de um dos casais praticantes – ou formais. Neste, é sempre numa chácara discreta, afastada e que todo mundo sabe onde é. Em Londrina temos um, que eu saiba. Ele era famoso. Só não sei porque mudou de nome.

No swing, assim como no BSDM (bondage e disciplina, dominação e submissão, sadomasoquismo), existem regras claras embora não escritas. A primeira delas é ninguém toca em ninguém sem ser convidado pelo casal. Não basta um aprovar o outro possível participante ou casal. Os dois têm que estar de acordo. Ou os quatro. Isso impede que haja atritos entre os casais e os outros. Se um não quiser, os quatro não brincam. Acho que está relacionado a ciúmes.

Aliás, ciúmes é uma coisa que precisa ser esquecida. Você não deve participar de um clube de swing se morrer de ciúmes do(a) companheiro(a) porque o nível de stress é bem alto. Afinal, vai ver seu(sua) companheiro(a) fazendo sexo com outro(a)(s), ali, na sua frente. Antes de tomar a decisão de participar, lembre-se disso. E se houver o consentimento dos dois, não seja um estraga-prazeres mudando de ideia no meio do bem bom do(a) companheiro(a). Possessivos não são bem vindos nesse meio.

A segunda regra num clube oficial de swing é nada de fotos. O que se faz em Vegas fica em Vegas! Num clube amador, feito num círculo de amigos e conhecidos, até pode ser liberado com uma certa reserva. Nunca para publicação em redes sociais. Mas num clube oficial, um celular sacado é motivo de expulsão. Se você não pode controlar seu desejo avassalador por selfies, passe longe. As boas casas de swing oferecem duas opções para os celulares: ou deixam no carro ou deixam trancados num armário, chaves com a recepcionista.

As casas de swing, em si, são como uma boate – mesinhas, música, alguns showzinhos – mas com alguns ambientes “diferenciados” a mais. Há uma área bem escura com camas extras grandes e espaços fechados, pequenas cabines – alguns com buracos, os famosos Hole Glory. Se não sabe o que é, procure no Google. Outros, em vez dos buracos para interação, tem pequenas janelas, onde os casais podem se exibir na pegação. E, olha só, tem até aquela cabine que permite fechar as cortinas para privacidade, se der tesão e vocês forem tímidos. Ah, e ninguém precisa tirar a roupa se não quiser.

Mas, o mais importante: não vá com grandes expectativas aos clubes oficiais, achando que irá encontrar (transar com) aquele cara malhado ou a bonitona curvilínea. Eles podem até aparecer por ali, mas são raríssimos. A maioria dos frequentadores dos clubes de swing oficiais é de casais de meia idade, tentando apimentar a relação: a dona de casa de corpo sólido , o cara já ficando careca e pançudinho (o inho é mera gentileza da minha parte). Muitos não fazem nada, só olham. Outros se empolgam e realmente entram na dança, principalmente na cama extra G em área aberta e escura. Mas, sinceramente, qualquer tesão que possa vir a nascer ao observar as atividades no escuro morre rapidinho ao se perceber que ninguém, mas ninguém mesmo, usa camisinha. Sinto decepcioná-los.

Portanto, se está pensando em algo do tipo – mas com segurança – , sugiro começar a procurar grupos menores de swing, em redes sociais (sim, eles estão lá, tem que garimpar um pouco, pesquisar ali, comentar com alguns conhecidos lá, enfim, se esforçar um pouquinho). Nesses, você pode manter um relacionamento social antes de ir para os finalmente. Conhecer mesmo o outro casal, sabe? Sair para jantar, jogar conversa fora e, claro, exigir o uso de camisinha. Nem pense em fazer sem.

Também é possível fazer a troca de casais entre amigos. Claro, se você tiver amigos mais animados que os meus. Haha! De qualquer forma, as duas regras fundamentais continuam valendo, seja no clube, seja com os amigos.

Afinal, clube de swing oficial vale a diversão? Olha, se você tiver tara por ver outros fazendo sexo ou quiser se exibir com a parceira, vale. Também vale se você não for exigente e quiser ter uma experiência diferente com a(o) patroa (ão), participando de uma suruba com desconhecidos. Eu acho arriscado, já que você não sabe quem é aquele casal ali nem por onde andou. Sem camisinha? Nunca na vida. Mas me disseram que as festas temáticas são ainda mais animadas. Talvez eu volte. Ou não.

Foto: Stone Sex Party – VisualHunt

Foto: Pixabay

Telma Elorza

Jornalista profissional, palpiteira e galhofeira. Adora dar pitaco na vida dos outros enquanto vai levando a sua na flauta.

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