Tia Telma Responde – “Meu marido vê vídeos pornôs com travestis. É normal?”

A amiga manda a pergunta na lata: “o marido de uma amiga se masturba assistindo vídeos pornôs com travestis. É normal?” Gente, que babado! Quem sou eu para falar se é normal ou não? O que posso dizer é: “Há mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar nossa vã filosofia” (SHAKESPEARE, William).

O que me pergunto é: como anda o relacionamento sexual desse casal? Está legal? Eles se satisfazem mutuamente? São parceiros, companheiros, criativos? Buscam fugir da rotina? Ou vivem uma relação desgastada, morna, sem grandes expectativas, com sexo rotineiro, aquela manutenção de “uma vez por semana e olha lá”?

Se são parceiros no crime (sexo), a esposa deveria saber da fantasia (ou fetiche) por travestis do marido. Na minha visão de palpiteira, pessoas que realmente se relacionam, que buscam viver melhor a dois, dividem fantasias e as realizam, dentro do possível.

Fantasiar e nunca realizar porque “meu marido/minha mulher não entenderia” é a coisa mais triste que pode existir entre um casal. Se você não tem liberdade para falar sobre suas fantasias com a(o) parceira(o) que escolheu para vida, vai falar com quem? Com a(o) amante? Então que tipo de casal vocês formam?

E não me venham os puritanos falando que “determinadas coisas” não se faz com mulheres “de bem, recatadas e do lar”. Fazem sim. Isso é desculpa machista para continuar a ter amantes, como quando era solteiro. Suas mulheres recatadas estão ali, insatisfeitas sexualmente. Se liguem, manés, porque qualquer hora elas descobrem que podem, sim, ter prazer feito “uma vadia” na cama. Geralmente com outro.

É só ler a matéria sobre um garoto de programa que publiquei em maio e que, aliás, é a reportagem mais lida até hoje, em todo O LONDRINENSE. Todo dia tem vários alguéns acessando para saber melhor o que acontece no mundo da prostituição masculina. Um desses alguéns pode ser até sua esposa.

Mas voltando a questão dos travestis. Na minha modesta opinião, o homem casado ter tesão por travesti pode estar dentro da linha da bissexualidade. Que, embora seja mais comum que se pensa, ainda é confundido com homossexualidade. A bissexualidade ainda é pouco visível e, segundo um amigo meu, mais entendido nessas coisas que eu, os bissexuais são muito cobrados, inclusive dentro do mundo LGBT+, por “não se definirem” nem para um lado nem para outro. A questão é: boa parte da população mundial é bissexual, sente atração pelos dois gêneros e a maioria passa a vida se reprimindo, como acontece com os homossexuais.

A primeira demografia de comportamento sexual humano, feita nos EUA, pelo Dr. Alfred Kinsey resultou nos livros “Comportamento Sexual no Macho Humano” (1948) e “Comportamento Sexual na Fêmea Humana” (1953). Estes estudos utilizaram um espectro de sete pontos para definir o comportamento sexual, usando 0 para completamente heterossexual a 6 para completamente homossexual.

Na pesquisa de Kinsey, 37% dos homens dos EUA tinham atingido o orgasmo através do contato com outro homem e 13% das mulheres tinham atingido o orgasmo através do contato com outra mulher. Em seu estudo, cerca de 10% dos homens se relacionavam com predomínio de atividade homossexual e 11% se relacionavam igualmente com homens e mulheres. Entre mulheres, 9% das mulheres solteiras e 3% das divorciadas se relacionavam predominantemente com mulheres e 7% das mulheres solteiras e 4% das divorciadas igualmente com homens e mulheres.

No caso dos homens com tesão por travesti, a resposta pode estar em várias hipóteses, todas ou até nenhuma. Podem estar fantasiando uma relação com outro homem mas sem chegar a ser um homem, o que não colocaria “em risco”, na sua cabeça, a sua própria masculinidade. Seria apenas uma mulher “com surpresinha”. Podem estar fantasiando uma mulher das antigas – travestis se cuidam muito mais que a maioria das mulheres – e a “surpresinha” seria um elemento excitante à mais; ou podem simplesmente sentir atração por mulheres com pênis e ponto final. Ou pode não ser nada disso.

Outro amigo – com quem discuti o caso- me lembrou que pode ser apenas um tesão por sexo anal. Segundo ele, a pornografia com travestis tem esse fator, que é muito desejado pelos homens, mas ainda tido como um tabu dentro de casa. Os homens têm, sim, esse desejo, mas a boa parte das mulheres têm medo, não gostam nem querem. Por isso, segundo esse amigo, muitos homens recorrem ao lado travestido da sexualidade com profissionais que não hesitam em fazer coisas que muitas mulheres não querem realizar na cama. Depois não adianta vir reclamar também, viu, meninas?

Agora, se é normal ou não, a questão é outra. Para mim, tudo que nos faz felizes e que não machuque (sem consentimento) ninguém – pessoa ou animal – , é normal e deve ser aproveitado. Se não concorda, procure um psicólogo.

Foto: Visual Hunt

Telma Elorza

Jornalista profissional, palpiteira e galhofeira. Adora dar pitaco na vida dos outros enquanto vai levando a sua na flauta.

.

Compartilhar:

3 comentários em “Tia Telma Responde – “Meu marido vê vídeos pornôs com travestis. É normal?”

  • 8 de fevereiro de 2020 em 04:16
    Permalink

    Tia Telma, sou podolatra e tenho uma tara absurda por pés femininos.
    Desde pequeno tenho esse fetiche de beija, cheirar e lamber pés de mulheres.
    Sou hetero, mas tmbm tenho um tesão enorme por pés de transexuais e travestis femininas, adoro muito idolatrar, lamber pés de transexuais suados e com chulé, e quanto mais suados e com chulé, maior é minha satisfação e prazer!!
    Sou muito feliz desse jeito, mas gostaria de saber se me encaixo em algum rótulo por essa minha tara por pés de transexuais e travestis?!?

    Resposta
    • 8 de fevereiro de 2020 em 07:47
      Permalink

      Olha, caro anônimo, não sei se existe uma classificação para esse tipo específico de predileção, não sou especialista, apenas uma palpiteira. Se você se incomoda com isso, talvez seja o caso de buscar ajuda. Se não, e não lhe atrapalha em outros aspectos da vida, apenas curta. Mas gostaria de fazer uma correção: transexuais são mulheres. Mulheres trans, mas mulheres. Então, não há distinção de pés femininos, ok?

      Resposta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *