Tia Telma Responde: Exibicionismo é doença?

Esse tema não veio como pergunta de ninguém, mas eu acho que devo falar sobre ele como um complemento da coluna passada, que tratou de voyeurismo. Afinal, são dois lados de uma mesma moeda: há quem tenha tara por ver outros fazendo sexo e há aqueles que gostam de se exibir, fazendo sexo ou não. Se juntam os dois, vira um casamento perfeito.

Em tempos de redes sociais, a maioria das pessoas é um pouco exibicionista. É o cara malhado que só publica fotos sem camisa, a menina de corpo perfeito que só aparece de biquíni ou lingerie, são as fotos de gente feliz em praia, viajando, comendo, na balada. Todo mundo quer se exibir um pouco, mostrando a vida perfeita que só está no Instagram. Mas esse é o exibicionismo light. Para causar invejinha ou ser elogiado, babação de ovo mesmo, principalmente dos marombados. Dificilmente alguém tem prazer sexual por isso.

Há também os caras que mandam nudes sem serem solicitadas e os casais exibicionistas, que gostam de fazer sexo em público para serem observados. Neste caso, os mais mansinhos procuram casas de swing para satisfazer a vontade de serem vistos trepando. Os mais agressivos fazem sexo em qualquer lugar público onde possam ser flagrados. Eu já vi um casal transando num carro no estacionamento do shopping Com-Tour às três horas da tarde, num dia de semana. Gente, que disposição.

O exibicionismo hard, no entanto, é aquele em que a pessoa (homens, principalmente) tem prazer em expor o órgão sexual para outra pessoa, geralmente do sexo oposto, sem que vítima esteja esperando. Boa parte das mulheres já encontraram um por aí, geralmente quando estão caminhando sozinhas. Eu mesmo já fui surpreendida por um no Bosque de Londrina, há alguns anos. Minha reação foi rir. O que, logicamente, broxou o cara, que tratou de se mandar rapidinho. Porque o que o exibicionista quer é chocar, assustar e quanto pior a reação da vítima, mais ele sente prazer. Depois deve ir tocar uma punheta em algum lugar pensando nessa reação.

Com esse tipo de exibicionista não tem nada de “pode ser uma doença”. Nesse caso, com certeza é uma parafilia, um padrão de comportamento no qual a fonte predominante de prazer não se encontra na transa, mas em alguma outra atividade.

Normalmente, o exibicionismo começa durante a adolescência. Segundo os sites médicos que consultei a respeito, a maioria dos exibicionistas são casados, mas o casamento é frequentemente problemático. E os sites médicos ainda trazem estatísticas alarmantes: cerca de 30% dos que praticam crimes sexuais do sexo masculino que são presos são exibicionistas e eles tendem a persistir em seu comportamento. Aproximadamente 50% são reincidentes. O lado bom é que dificilmente estupram alguém. Mas, mesmo assim, o trauma para uma criança ver um homem nu se masturbando pode ser grande.

Há tratamento, lógico, mas ele só acontece quando os exibicionistas são presos. Dificilmente um deles procura ajuda por conta própria, mesmo podendo sentir uma angústia extrema por causa de seu padrão de comportamento. Então, se você está começando a desenvolver compulsões do tipo, meu conselho é: procure ajuda o mais rápido possível. Vai lhe poupar muito sofrimento e vergonha.

Foto: Pixabay

Telma Elorza

Jornalista profissional, palpiteira e galhofeira. Adora dar pitaco na vida dos outros enquanto vai levando a sua na flauta.

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