Tia Telma Responde – Ele me pediu para comê-lo. Ele é gay?

“Meu namorado pediu para eu fazer inversão com ele. Estou assustada. Será que ele é gay e eu sou uma iludida que nunca percebi?”

Ai, minha santa periquita do bigode loiro. Pelo visto, a mulherada anda com a mente fechada, na hora do sexo. E daí que ele gosta de uma inversãozinha? Acho muito legal que ele goste e confie em você o suficiente para pedir uma coisa dessas. Muitos não chegam a fazer o pedido. Mas, se, para você, normal é apenas papai e mamãe, deixa eu lhe contar uma coisa: apimentar a relação com brinquedos e fetiches pode ser um grande passo na sua relação. Antes de sair berrando com o namorado ou acreditando que ele não gosta mais da coisa, por que não experimenta realizar o desejo dele? Você pode se surpreender.

A inversão ou strap on – onde a mulher penetra o homem com um pênis de borracha, usando ou não uma cinta (chamada de cinta-caralha, para os íntimos) – é um fetiche sexual que boa parte dos homens tem sem que isso signifique ele seja gay. Como sabemos, a homossexualidade é definida pela atração sexual e romântica por pessoas do mesmo sexo. A inversão é outra coisa, apenas um fetiche. Não é porque quer levar um pauzão no koo que ele parou de gostar de mulher. Hahaha. Brincadeira.  

Apesar de parecer incomum, a rede social Sexlog fez, há dois anos, uma pesquisa com mais de 4 mil usuários que revelaram que 43% deles já tinham feito strap on e outros tantos tinham vontade de experimentar. Apenas 3% do total disseram que não fariam/não se interessam pelo assunto. Ou seja, podem até negar, mas tem muitos caras por aí que gostariam de experimentar, o machismo que não deixa. Aliás, machismo inclusive das parceiras. Eles têm medo de pedir para elas por causa da possível reação.

Mais uma vez entramos na área do BDSM (bondage e disciplina, dominação e submissão, sadomasoquismo). A inversão é uma das técnicas de dominação que, nesse caso, é exclusiva da mulher sobre o homem. A mulher é quem tem o controle de tudo e pode tratar seu homem como bem quiser. Humilhação, inclusive, faz parte da brincadeira.

Saca dominatrix? Aquelas mulheres vestidas de couro e tachas, as “rainhas”? Então, geralmente são elas que fazem a inversão. Não é coisa para mulher meiguinha, que mal se mexe na cama. Porque o homem que quer experimentar, na maioria das vezes, também gostaria ser humilhado, de obedecer ordens, ser pisado, entre outras coisinhas. Um masoquismo sem dor.

 A sensação, pelo que me disse um amigo que já fez, é incrível. O ânus, como já expliquei na coluna sobre beijo grego, é muito sensível. Assim, o strap on pode fazer o prazer durar mais, além manter a ereção logo após a ejaculação. Ou seja, benefícios extras para a mulherada. Sem contar que a cinta-caralha também fica posicionada estrategicamente sobre a virilha da mulher que, com os movimentos de penetração, pode alcançar facilmente o orgasmo. Um ganha-ganha.

Assim, antes de falar “credo” se ele pedir, que tal experimentar? Faz feliz seu homem, você pode se descobrir uma rainha e, juntos, descobrirem novas formas de prazer, numa maior parceria.

Agora, se só a ideia a revolta, se você não quer mesmo brincar dessas coisas, isso é direito seu. Mas sugiro que reveja seu relacionamento e talvez seja melhor procurar uma outra pessoa. Porque essas fantasias vão ficar na cabeça dele e, um dia, ele vai realizar. Com ou sem você.

Foto: Série “Amizade Dolorida”, da Netflix – Divulgação

Foto: Pixabay

Telma Elorza

Jornalista profissional, palpiteira e galhofeira. Adora dar pitaco na vida dos outros enquanto vai levando a sua na flauta.

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