Série Mulheres Artistas: Tomie Ohtake

Tomie (sobrenome de solteira Nakakubo) nasceu em Quioto, no Japão, em 21 de novembro de 1913. Em 1936, veio ao Brasil visitar o irmão e conheceu o engenheiro agrônomo Ushio Ohtake. Naturalizou-se brasileira em 1968. Iniciou o curso de pintura com Keisuke Sugano em 1952 e encontrou sua linguagem no abstracionismo informal.

A artista e sua obra Foto: Instituto Tomie Ohtake

Coloquei várias datas hoje porque é interessante ressaltar que Tomie começou a carreira de artista, digamos mais “tarde”… A maioria dos artistas começam a carreira muito cedo, Tomie escolheu primeiro cuidar dos filhos e da família. Mais impressionante foi tudo o que ela conquistou!

Obra Tomie Ohtake – Foto: reprodução da internet

Para vocês terem uma ideia, a Pinacoteca do Estado de São Paulo só tem 20% de obras de mulheres no seu acervo, Tomie é uma delas! Participou de vários salões regionais e nacionais nos anos 50 e 60, ganhando prêmios em quase todos e, com isso, foi convidada e participou da Bienal de Veneza em 1972. Bienais são exposições que acontecem de dois em dois anos, a de Veneza é uma das mais importantes do mundo!

Obra Tomie Otake – Foto: Reprodução da Internet

A partir dos anos 1970 passou a trabalhar também com serigrafia, litografia e gravura em metal. Para entender melhor, gravuras são como carimbos, a base do carimbo é a borracha; na serigrafia o suporte duro é a tela; na lito é pedra, uma pedra especial; no metal, a base é o metal corroído por ácido, aonde o que se quer gravar fica em relevo, passa-se a tinta e coloca-se a chapa desenhada e imprime no papel; na xilogravura, o desenho é feito em alto relevo na madeira.

Tomie fez várias esculturas gigantescas e tem 27 obras públicas em vários lugares.

Escultura Tomie Ohtake instalada na altura do número 1111 da Avenida Paulista – Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Na 23a. Bienal de São Paulo, em 1995, foi realizada uma sala especial com suas obras. Em 2000, foi inaugurado o Instituto Cultural Tomie Ohtake, com o projeto do seu filho arquiteto Ruy Ohtake e quem administra é seu outro filho Ricardo Ohtake.

Em 12 de fevereiro de 2015, em São Paulo, Tomie morreu de choque séptico por causa de uma broncopnemonia.

Eu assisto algumas reportagens quando ela ainda estava viva, e seu processo de trabalho era muito interessante, pois apesar dela ser uma abstrata informal, ou seja pintar com mais espontaneidade, ela também fazia pequenos projetos no papel e passava para telas grandes.

Obra Tomie Ohtake – Foto: Reprodução da internet

Em algumas obras, as marcas do pincel na superfície são imperceptíveis. São combinações de cores e formas vibrantes e cheias de vitalidade! É possível encontrar várias entrevistas com ela e, para quem tiver oportunidade, visite o Instituto em São Paulo.

Tomie é chamada a “dama das artes plásticas brasileira”.

Tomie Ohtake -Foto: Instituto Tomie Ohtake

Boa semana, pessoal! 

Angela Diana

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.

Foto: Reprodução da internet

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