Quem ama o feio, bonito lhe parece

A pergunta que não quer calar é: o que é o feio? Ou, o que é o belo? Já comentei aqui que, no mundo das artes, isso chega a ser um pouco confuso se você for leigo, por assim dizer…

Vamos imaginar a Monalisa nos dias de hoje, pelos parâmetros da moda, ok?

Vocês achariam a Mona linda? Imagino que a primeira coisa que uma maquiadora faria com ela seria redesenhar suas sobrancelhas, colocar cílios e, se possível, ela preencheria os lábios …E com certeza mudaria o corte de cabelo, a cor …ou seja, o que é “belo” hoje, amanhã pode ser “feio”!

O caso é que, como artista, um rosto anguloso pode ser muito mais expressivo que um todo proporcional.

Obra Le Sorelle, de Fernando Botero – Reprodução da internet

Na moda, veio a tendência  da magreza, de mulheres altas! Já os artistas plásticos Botero e Renoir viam nas mulheres mais cheias de curvas, a sensualidade e a energia feminina mais latente! 

Obra Jeanne Samary, de Auguste Renoir – Reprodução da internet

Ticiano amava pintar mulheres ruivas, aliás! Nas suas obras ele usou e abusou dos tons vermelhos. Já Matisse foi dos traços e cores das odaliscas até os corpos que viraram traços. Ele conseguiu sintetizar as formas humanas em linhas de imensa simplicidade e beleza! Isso falando de corpos como formas qualquer…

Nas obras da idade média, principalmente, vemos rostos quase deformados e também eles voltam a aparecer nos anos das grandes guerras nas obras dos expressionistas. Pois, a “beleza” estava no que era “feio”, e a deformação passava a emoção intensa do momento! Vejam as obras de artistas dessas épocas! Muitos rostos que eram de pessoas reais!

Auto retrato, de El Greco – Reprodução da internet

Hoje a busca da “beleza” tornou-se quase uma obsessão para algumas pessoas…Sempre penso: “Em quem estão se comparando”? Na arte, a beleza é uma energia e o feio uma expressão, ou quase isso!

Aqui nos fundos de casa, acabei realizando um sonho, de ter um jardim como na infância…Sabe, aqueles que a vó da gente tinha? Flores, ervas e verduras, tudo junto e misturado? Então…numa manhã, “vi” a beleza de uma flor de almeirão misturado com margaridas, ou a flor de abóbora e sua folha enorme e de tons de verde diferentes.

Deixar que a energia da beleza flua é o que dá inspiração para pintarmos! É a expressão do que pode parecer “feio” em determinadas épocas, mas que pode ser muito interessante como elementos que também inspiram! Em arte não existe termos subjetivos de feio ou bonito, o que existe é apenas a criação! 

Boa semana para todos!! Paz e amor!

Angela Diana

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.

Foto principal: Monalisa, de Leonardo Da Vinci – Reprodução da internet

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