Quarta etapa da pesquisa nacional mostra desaceleração do coronavírus no Brasil

Crianças, idosos, pretos, pardos e mais pobres são confirmados como os mais vulneráveis, apontou o estudo

O LONDRINENSE com assessoria

Dados mais recentes do estudo Epicovid19-BR, que mapeia a epidemiologia do coronavírus no Brasil, mostram desaceleração da pandemia no país. A quarta etapa nacional da pesquisa estima que a proporção de pessoas com anticorpos para o coronavírus na população diminuiu de 3,8% (com margem de erro de 3,5 a 4,1%), ao final de junho, para 1,4% (com margem de erro de 1,2 a 1,6%), ao final de agosto. A pesquisa foi realizada pelo Ibope Inteligência para Universidade Federal de Pelotas e testou para o novo coronavírus 33.250 pessoas em 133 cidades de todo o País, inclusive Londrina. Em cada cidade, 250 moradores foram selecionados por meio sorteio aleatório, utilizando dados censitários do IBGE como base. Ao todo, as quatro etapas da pesquisa já testaram mais de 120 mil pessoas.

“Ao contrário do que se pensava no início da pandemia, anticorpos detectáveis pelo teste duram apenas algumas semanas, ou seja, infecções mais antigas podem já não ser identificadas pelo exame. Isso vem acontecendo também em diversos países, e não somente em estudos com testes rápidos como os utilizados no Epicovid-19”, diz o coordenador geral do estudo, Pedro Hallal.

A proporção de indivíduos que testaram positivo na última fase do Epicovid-19 – 1,4% – representa, portanto, o percentual de pessoas que tiveram infecções relativamente recentes. “Muitas pessoas que foram infectadas há mais tempo passaram a apresentar resultados negativos no levantamento atual”, complementa o epidemiologista.

Essa redução já havia sido sinalizada pelo grupo de pesquisa no início de julho – o artigo científico será publicado esta semana na revista científica The Lancet Global Health (on-line first).

Os pesquisadores explicam que a diminuição dos níveis de anticorpos ao longo do tempo não significa que os indivíduos deixem de estar protegidos, pois o organismo “guarda” a memória imunológica para produzir anticorpos rapidamente em caso de uma nova infecção.

“Portanto, não está correto usar a estimativa atual para indicar uma possível ‘imunidade de rebanho’, tampouco para avaliar a probabilidade de uma ‘segunda onda’ da pandemia”, afirma Hallal.

A quarta fase do maior estudo epidemiológico sobre coronavírus no Brasil foi realizada entre os dias 27 e 30 de agosto, pouco mais de dois meses após a conclusão da terceira fase, que foi realizada entre os dias 21 e 24 de junho. A partir da quarta fase, o estudo passou a contar com o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e da iniciativa Todos Pela Saúde.

As diferenças entre regiões do Brasil seguiram marcantes na quarta fase, como já havia sido observado nas fases anteriores. O maior percentual de infecção foi observado na Região Norte (2,4%) e no Nordeste (1,9%). No Sul, Centro-Oeste e Sudeste, o percentual de infecção ficou em 0,5%. No Paraná, Cascavel teve o maior percentual de infecção, com 0,8%. Londrina com 0,4% e Curitiba, Maringá, Guarapuava e Ponta Grossa registraram índice 0.

Além da queda do percentual da população que apresenta anticorpos, o que confirma a desaceleração da epidemia na maior parte do país, a quarta fase do estudo destaca mais quatro mensagens principais: 1) interiorização da pandemia no Brasil; 2) mudança no padrão etário dos infectados, com predominância entre crianças e idosos. As altas prevalências em crianças brasileiras difere do que tem sido relatado em outras regiões do mundo, como a Europa e a China. ; 3) maior vulnerabilidade de pretos e pardos à infecção; 4) risco de infecção duas vezes maior entre os mais pobres.
Pessoas cujas famílias se encontram entre as 20% mais pobres da população, em todas as fases do estudo, apresentam prevalência mais de duas vezes superior à observada entre os 20% mais ricos.

O Estudo de Evolução da Prevalência de Infecção por Covid-19 no Brasil (EPICOVID19-BR), coordenado pela Universidade Federal de Pelotas, é a maior pesquisa populacional em andamento no mundo a estimar a prevalência de coronavírus. As três primeiras etapas foram realizadas de 14 a 21 de maio, 4 a 7 e 21 a 24 de junho.

Foto: Pixabay

Compartilhar:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *