Prefeitura pretende gastar R$500 mil com ivermectina para uso na covid-19

Mesmo sem comprovação científica da eficácia do medicamento de vermes no combate à doença, Prefeitura pode adquirir mais de 500 mil unidades

Telma Elorza

O LONDRINENSE

A Prefeitura de Londrina concluiu o pregão Nº. PG/SMGP-0196/2020 para “eventual” aquisição de 551.610 unidades do medicamento Ivermectina 6mg por R$ 584.706,60, para tratamento de covid-19. A empresa vencedora foi a Conquista Distribuidora de Medicamentos e Produtos Hospitalares Eireli, de Camboriú, Santa Catarina. O resultado foi publicado no Jornal Oficial nº 4140, nesta quinta-feira (20). O preço unitário foi de R$1,06.

O medicamento não tem comprovação científica na eficácia contra a doença covid-19 mas vem sendo usado aleatoriamente por pessoas em todo Brasil como “preventivo”. Numa busca pela internet é fácil verificar que o vermífugo está nos protocolos hospitalares apenas para ser usado como profilaxia de estrongiloidíase, infestação de vermes do tipo Strongyloides stercoralis, como uma “limpeza” do corpo antes de aplicação de outros medicamentos como corticóides, em casos graves.

A Anvisa emitiu, em 10 de julho deste ano, uma nota de esclarecimento sobre o uso da ivermectina: “Diante das notícias veiculadas sobre medicamentos que contêm ivermectina para o tratamento da Covid-19, a Anvisa esclarece: Inicialmente, é preciso deixar claro que não existem estudos conclusivos que comprovem o uso desse medicamento para o tratamento da Covid-19, bem como não existem estudos que refutem esse uso. Até o momento, não existem medicamentos aprovados para prevenção ou tratamento da Covid-19 no Brasil. Nesse sentido, as indicações aprovadas para a ivermectina são aquelas constantes da bula do medicamento. Cabe ressaltar que o uso do medicamento para indicações não previstas na bula é de escolha e responsabilidade do médico prescritor.”

Foto: Print do site da Anvisa

O LONDRINENSE acionou as assessorias de imprensa da Irmandade da Santa Casa de Londrina (Iscal) e Hospital Universitário de Londrina (HU/UEL) questionando se usavam o medicamento em seus protocolos para covid-19. As respostas foram negativas.

Segundo o Municipal de Saúde, Felippe Machado, essa medida é uma precaução, já que é uma tomada de preços e se houver necessidade de aquisição, “já estamos preparados para disponibilizar na rede pública, à disposição dos médicos”. Segundo ele, embora não tenha eficácia comprovada, em abril, o Conselho Regional de Medicina (CRM) facultou a prescrição de medicamentos “desde que o médico esclareça o paciente, caso haja contraindicações, e o paciente assine um termo de responsabilidade”, justificou.

Foto: Reprodução da internet

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