Por que preservar a natureza que muitos destroem?

É impressionante como o ser humano tem a capacidade de se renovar quando entra em contato com a natureza, seja qual formato for: praia, cachoeira, rio, pesca, trabalhar a terra e por aí vai. Afinal, isso tudo faz parte de sua essência, desconectada ao longo do tempo, dos séculos e milênios atrás, tornando o homem um ser urbano. Talvez por isso é que tanta gente se sente inexplicavelmente bem quando se põe diante de algum passeio rural ou natural. E é isso que tem feito o turismo desse tipo crescer, potencializado pela pandemia do coronavírus.

Meu amigo, também sociólogo, Gabriel Bernardo, me contou que leu um livro em que havia essa reflexão: quando o homem deixou de ser nômade para se tornar sedentário? A resposta, aparentemente, é simples: no período Neolítico, o ser humano aprendeu a cultivar as plantas, a domesticar os animais e, assim, não precisava mais se locomover para ir em busca de alimentos – caça e coleta. Obviamente isso se deu nas proximidades de rios. Entretanto, não foi qualquer tipo de alimento.

De acordo com a leitura do Gabriel, que também é advogado, dominar o cultivo de um carboidrato foi fundamental para o ser humano se estabelecer na terra. E isso ocorreu de diferentes maneiras ao redor do planeta: arroz na Ásia, trigo na Europa e mandioca na América do Sul, além de outros como milho e batata, por exemplo. E toda essa reflexão surgiu porque no último fim de semana, aos 35 anos de idade, pela primeira vez na vida, vi com meus próprios olhos uma plantação de mandioca. Mais que isso, pude colher o tubérculo, que fica enterrado na terra e tem uma árvore de médio porte para fora.

O que tornou essa experiência possível foi a amizade com o Patrick Menin, que nos convidou para passar o fim de semana na pequena propriedade do pai, nos arredores de Londrina. Uma experiência que deveriam ter todas as crianças, principalmente na escola, porque os pequenos de hoje não têm ideia de onde vêm as coisas. E, sabendo como são obtidos os alimentos, certamente aprenderão de forma natural a preservar a natureza que tanta gente busca para relaxar, mesmo que muitos insistem em destruí-la.

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

Foto:Singkham no Pexels

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