Por que as pessoas acham que deficientes não fazem sexo?

Almir Escatambulo, servidor público

Nunca achei que iria tornar a tocar nesse tema, porém, resolvi aborda-lo, depois de ter sido alvo de chacota de determinados “amigos” ao me ver com a minha companheira num determinado estabelecimento comercial.

“Será que ele dá conta, cego desse jeito?”

“Será que ele acha o buraquinho?’

Nem precisou eu me defender, minha companheira já saiu na frente e deu aquele esporro na galera. No entanto, fiquei pensando sobre isso durante um tempo, e percebi que por mais que procuremos espalhar informações, desmistificar mitos e preconceitos, a coisa não evolui, “tudo como dantes no quartel de Abrantes”.

Não sei se é pelo fato de o tal do politicamente correto ter sido abolido na atual conjuntura ou se o preconceito sempre existiu, e as pessoas só velavam para não pegar mal. Porém, como na atual situação, estão a duvidar até de que a terra é redonda, imagina se os preconceitos outrora escondidos, não seriam revelados?

O que ocorre é que sempre houve um enorme preconceito em relação as pessoas com deficiência, seja no sentido de superestimar ou subestimar. A literatura, a história e vários relatos pautados na realidade pautam essa constatação.

Se pegarmos estas três fontes que eu mencionei, teremos duas percepções quando se encara uma pessoa com deficiência. Ou que ele seja um anjinho assexuado ou um desajustado social (isso inclui até desajustes sexuais). Pessoas com deficiência em casa, na escola, na sociedade em geral, são sempre marginalizadas e deixadas ao largo quando se trata de temas tabus.

Tudo porque, no imaginário social, as percepções listadas acima, permanecem e sempre de forma velada, seja por meio de chacota, assistencialismo ou superproteção.

Isso faz com que o sujeito que tenha uma deficiência cresça e se desenvolva sem ter uma identidade própria. Tive diversas experiências de homens e mulheres com deficiência que, por falta de orientação, diálogo, etc. vivem atormentados por não terem uma vida sexual ativa, por medo de se aproximarem das pessoas, temendo preconceitos devido a sua deficiência. Homens e mulheres que possuem uma orientação sexual diferente e que não conseguem conviver com essa situação, por falta de conhecimento. E sofrem com a falta de informações, o preconceito e ignorância dos outros e são confinadas em determinadas religiões que as fazem sentir mais culpadas ainda, não só por essa situação, mas também por sua própria deficiência.

Em suma, são pessoas que são privadas de sua própria condição de seres humanos, justamente por causa da ignorância alheia. Não há uma solução efetiva para resolver este imbróglio. O que eu sei é que luto todos os dias para mostrar para as pessoas que eu sou um ser humano comum, passível de qualidades e defeitos, erros e acertos, que possui desejos carnais e racionais que como todo ser humano. Que pode errar consigo mesmo e com os outros. Porém, que deve ser respeitado como tal, nem para mais e nem para menos.  E que ninguém, em nome de uma religião, preconceito, desinformação ou preconceito mesmo, deve me privar de ser o que eu sou.

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