Pesquisa da UEL investiga fatores genéticos na evolução da COVID-19

Pesquisadores querem saber porque alguns pacientes sem comorbidades evoluem para óbito

Agência UEL

“Avaliar possíveis alterações em genes que codificam moléculas envolvidas na resposta imunológica (citocinas) que podem alterar a progressão/evolução da COVID-19”. Este é o objetivo do Projeto Investigação de Fatores Genéticos e Imunológicos na Infecção por Sars-Cov-2: associação com o prognóstico, morbidade e mortalidade. A iniciativa é liderada pela professora Andréa Name Colado Simão, do Departamento de Patologia, Análises Clínicas e Toxicológicas, do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

O projeto, vinculado à área de Medicina conforme classificação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), foi registrado em maio, quando começou o trâmite, e sua execução é de julho último, com previsão de três anos, até julho de 2023. A professora Andréa Colado Simão afirma que que pacientes que desenvolvem formas graves de COVID-19 produzem as citocinas em excesso. Citocina é um nome geral para proteínas que são produzidas por células do sistema imunológico.

Os pesquisadores do projeto trabalham com a hipótese de que a produção de citocinas sofre influência genética. “Dependendo da genética do paciente, alguns poderiam ser predispostos a produzir mais e, dessa forma, evoluir pior, enquanto outros poderiam produzir menos e ter uma evolução melhor”, comenta a professora Andréa Colado Simão.

Ela explica que alguns pacientes têm complicação pela COVID-19, sem apresentar fatores de risco, ou seja, doenças prévias como obesidade, imunossupressão e idade avançada. Mesmo assim, esses pacientes evoluem para óbito. “[Nesses casos] a genética do paciente pode ser um forte determinante para essa evolução, considerando que a resposta imune está intrinsicamente envolvida na fisiopatologia da doença, escolhemos genes que poderiam interferir diretamente nesse processo”.

Coleta – Conforme a professora, os pesquisadores estão na etapa final de coleta de amostras biológicas, ou seja, sangue e swab de nasofaringe. “Já realizamos algumas avaliações genéticas também, mas como são muitos genes a serem analisados, ainda demoraremos alguns meses para finalizarmos as análises laboratoriais”, explica Andréa. “É um estudo bastante trabalhoso e alguns kits laboratoriais ainda não chegaram para as análises”. O projeto ainda não tem dados preliminares, o que deve ocorre em seis meses.

O projeto tem a participação de professores, de estudantes de programas de pós-graduação, mestrado e doutorado, em Fisiopatologia Clínica e Laboratorial, do CCS, e de Patologia Experimental, do Centro de Ciências Biológicas (CCB). A proposta tem a participação, também, de dois alunos de graduação que são bolsistas de Iniciação Científica. “Esse projeto é resultado de uma intensa rede de colaboração de pesquisadores que integram os departamentos de Patologia, Análises Clínicas e Toxicológicas; de Clínica Médica [ambos do CCS], e Ciências Patológicas (CCB)”, ressalta Andréa Colado Simão.

O projeto conta com uma equipe multidisciplinar formada professores de várias áreas do conhecimento, como bioquímicos, médicos infectologistas, biomédicos. “Todas as análises laboratoriais estão sendo realizadas no Laboratório de Pesquisa em Imunologia Aplicada e no laboratório de Imunologia Clínica e Diagnóstico Molecular do Hospital Universitário da UEL”, destaca a professora.

Foto: Edward Jenner no Pexels

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