Parasita, o melhor do ano

Finalmente estreou na cidade o premiadíssimo Parasita, o melhor filme que vi este ano. Dirigido por Bong Joon-ho (Mother – 2009), o roteiro conta a história de uma família toda desempregada e paupérrima da Coréia do Sul, que tenta se infiltrar em uma família de burgueses para se aproveitar das benesses do dinheiro.

Maravilhosamente dirigido e roteirizado, além da história fascinante, o filme mergulha profundamente no perfil psicológico de seus personagens, proporcionando muitas reviravoltas na história e fazendo nos apaixonar por seres inescrupulosos e cruéis, mas ainda assim, humanos.

Joon-ho disse em entrevista que Parasita é um filme de escadarias, metáfora que serve muito bem à película, onde há descidas, subidas e tombos o tempo todo. Difícil classificar o filme pela temática porque é recheado de dicotomias, tanto internas quanto externas. Talvez possa ser classificado como um ‘thriller suspense tragicômico’. Em sua infância, se você leu as Fábulas de Esopo, vai ter uma certa intimidade com a narrativa. Difícil deixar de lembrar de várias fábulas: A raposa e as uvas, A cigarra e as formigas… É esse tipo de simbolismo que habita cada canto de Parasita.

O diretor exagera nas cenas, algumas beirando ao humor pastelão, com a intenção de capturar o valor simbólico de cada tomada de câmera. Tanto a família dos quase mendigos Ki-Taek, como a família dos milionários Park, são tratados de maneira caricatural, configurando as classes sociais de maneira estratificada. Mais ainda, os dois núcleos familiares constituídos de pai, mãe, filha e filho, funcionam como se fossem um espelho de opostos, mas idênticos em suas essências.

“Trace um plano e o mundo fará dar errado”, diz o protagonista. E de repente o suspense se instaura na tela, e na metade do filme já assistimos o drama, o escracho, o pastelão, o terror, tudo encaminhando em harmonia para uma tragédia. Como não há outro caminho possível que não seja a violência no choque entre a extrema pobreza e a ostentação, nos deliciamos com este Shakespeare contemporâneo. Nota 10.

Foto: Divulgação

Marcelo Minka

Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas.

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