Os poetas da minha vida

Raquel Santana (*)

Minha estada em Londrina sempre foi permeada pela presença de artistas. Alguns ganharam fama depois, uns durante e outros já eram famosos quando morei na cidade. De Arrigo Barnabé a Paulo Leminski, convivi com vários deles durante o curso de jornalismo. Experiências maravilhosas, que trago pra vida.

Durante um período nos anos 80, era comum a UEL chamar algumas personalidades para dar palestras na universidade. No curso, tivemos o privilégio de ouvir jornalistas famosos. Com um, em particular, tive uma experiência bem interessante. O global Caco Barcellos veio falar sobre o livro “Rota 66”, a mítica rota americana que ele percorreu e narrou em livro. Sorteou alguns exemplares e ganhei um.

Ao autografar, ele me pediu que escrevesse e contasse o que achei. Deixou o número de uma caixa postal em São Paulo. Eu nunca havia escrito para um escritor. E muito menos para uma caixa postal! Pois li e mandei minha opinião. E o mais legal: ele me respondeu! Até hoje acho o Caco lindo por causa disso. Naqueles tempos, a gente escrevia cartas. Nas férias, adorava escrever pra turma. Troquei muita correspondência em tempos sem internet.

Outro escritor que veio falar na UEL foi o Reinaldo Moraes. Na época do lançamento do Cantadas Literárias, da editora Brasiliense , acredito que a universidade fez alguma parceria com a editora, pois vários autores foram lançar livros lá. Moraes lançou “Tanto Faz” em 81, um dos primeiros da editora. No ano seguinte , foi palestrar na UEL junto com Caio Fernando Abreu. Acabamos os três e mais um amigo, que hoje é ator global, passando a noite juntos no Valentino. E depois no hotel. O amigo jura que passou a noite conversando.

Entre os autores paranaenses, o escritor Paulo Leminski publicou “Caprichos e Relaxos” pela editora, um dos meus livros preferido do poeta. Com muitos amigos na cidade, a família toda foi junto e se hospedou na quitinete de um casal amigo, na avenida JK, distante uma quadra de casa. Nem preciso dizer que praticamente me hospedei junto. Pior, fiquei de babá pra Áurea e Estrela, na época pequenas, enquanto eles foram palestrar. Em compensação, ganhei livro autografado dele e da Alice Ruiz.

E a lembrança que guardo do poeta é a de nós dois, no banco do Valentino, brincando de “serra, serra, serrador, serra o papo do vovô “, e caindo um em cima do outro no três, rachando de rir. Duas crianças na noite Londrinense. Eu era feliz, e sabia.

(*) É jornalista radicada em Curitiba e apaixonada por Londrina

Compartilhar:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *