O tempo: uma construção humana da qual somos reféns

O tempo é uma construção humana, criada já há alguns milênios e com o qual o homem se relaciona de diferentes formas nesse período todo. É tão verdade isso que Agostinho de Hypona, santo da Igreja Católica e filósofo medieval, chega a afirmar que não pode existir tempo onde não existam criaturas capazes de mensura-lo. E, talvez, o ser humano seja o único com possibilidades racionais de fazê-lo. Por isso, repito: o tempo é uma construção humana.

Inicialmente, o tempo foi pouco a pouco desenvolvido a partir do desenrolar do pensamento racional, o que mais tarde contribuiu para o surgimento da Filosofia. É que os homens passaram a conta-lo por estações do ano, não mais por vontade divina. E perceberam isso como atribuição própria, deixando de lado as explicações míticas sobre a realidade do mundo. Com o passar do próprio tempo, a relação do homem com essa construção social foi se transformando. E hoje, parece que somos escravos do tempo, não?

Essa sensação passou a ser sentida a partir do surgimento de uma sociedade capitalista marcada pela contagem do tempo do trabalho, depois da Revolução Industrial, no século XVIII. Com sirenes, cartão-ponto e tudo o mais que foi criado para limitar o tempo das pessoas. Então, hoje fazemos muitas coisas no nosso dia a dia, mas, temos a sensação de que nos falta, justamente, o tempo.

Por isso, a filosofia questiona: marcamos o tempo ou somos marcados por ele? É preciso refletir sobre isso por uma questão de prioridade. Às vezes gastamos tempo demais trabalhando ou fazendo atividades que não nos agregam absolutamente nada. Enquanto deixamos de lado situações da vida que merecem todo o tempo do mundo: conviver com a família, com os amigos, viajar, etc. Obviamente não se pode esquecer das obrigações profissionais ou relacionadas a deveres. Entretanto, é preciso fazer escolhas. Essas escolhas, todavia, devem ser autonomia própria. Senão acabamos reféns do tempo, algo que nós mesmos construímos.

Foto: Pixabay

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

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