O Super Suco 13 e sua história

Telma Elorza

O LONDRINENSE

Super Suco 13. Esse era o nome oficial da lanchonete do meu pai, seu Aido Elorza. Super Suco, um sonho que ele realizou e cuidou com muito carinho. O 13 veio da Rua 13 de Maio, 527, Pirajuí (SP), o endereço onde está até hoje, embora não tenha mais nada ver com os Elorzas. Também de uma certa superstição do meu pai, que gostava do 13 e do 33. Ele tinha a língua um pouco presa, então gostava de brincar com o tlinta e tleis e o tleze. A rodovia SP 333 era a preferida dele. E a gente embarcava nas brincadeiras.

Embora tenha o Super, o nome que ficou mesmo foi o Suco 13. Famoso lá pelo interior de São Paulo. Não tem um representante comercial que fizesse a rota Botucatu-Três Lagoas (MS) pela Rodovia Marechal Rondon que não conhecesse o Suco 13. Melhor lugar para tomar um suco geladíssimo e comer uma coxinha ou um risólis, que meu pai colocou o nome de “casadinho”, vai saber o porquê.

Porquinhos (salgado feito com salsicha e vinagrete em massa de esfirra), esfirras, quibes, pastéis, tinha uma boa variedade de salgados. Na Quaresma, família religiosa como a minha, inventava-se os salgadinhos de bacalhau. O quibe de bacalhau desenvolvido por minha mãe, dona Estelinha, e aperfeiçoado pela minha vó, dona Telefora, era dos deuses. O casadinho de camarão, hum, era fantástico.

Aliás, todas as receitas tinham o dedo da mãe e da vó. Desde a época que o Suco 13 ainda era um projeto e nós vivíamos de um bar-quitanda onde se vendia de pinga a verduras. Minha mãe estava sempre inventando coisas gostosas para os caras que iam tomar a pinguinha comer. Ela vivia com os braços com queimaduras das fornadas de salgados, que fazia depois que voltava do trabalho na Companhia Telefônica, depois Telesp. Minha mãe sempre foi uma guerreira, batalhadora e meu pai deve muito do sucesso da lanchonete à ela. Quando falo do Suco 13, vejo um trio: meu pai, minha mãe e minha avó, mãe da mãe. Esses três fizeram e aconteceram.

Meu pai, que tinha horror a bebidas alcoólicas, vendeu muita pinga “amarelinha”, comprada em um alambique de Reginópolis e curtida em casa, para juntar dinheiro e transformar o bar-quitanda em uma lanchonete. Tenho até hoje a marca de uma queimada que levei, ao ajoelhar no chão do bar, brincando de esconder com meu irmão. O cara jogou a bituca acesa no chão e eu coloquei o joelho em cima, sem ver. Depois disso, meu pai ficou ainda mais decidido a acabar com a pingaiada. Na sua lanchonete, só teria cerveja – hoje chamada de “romarinho” – para alguns poucos clientes. Ali não seria lugar para ficar horas com um copo de cerveja na mão.

O Suco 13 marcou gerações de pirajuienses. Era o lugar dos primeiros encontros dos casais . “Vamos tomar um suco?”, era uma frase que ajudava muito os meninos a cortejarem as meninas. Menos no meu caso e da minha irmã. Ninguém nos convidava para ir tomar um suco para não ficar sob os olhos vigilantes de seu Aido. Aliás, meu pai não nos deixava ajudar na lanchonete, desde que uma vez ele pegou um representante comercial me cantando enquanto eu lavava copos. Seu Aido não era machista – eu não seria o que sou, se ele fosse – mas era cuidadoso com as filhas. Ciúmes, eu acho. Depois disso, minha função passou a ser administrativa. Mas isso fica para outra história.

Foto: O suco agora pelo Google Street View

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