O som do vinil

Nestes tempos de isolamento social, nada melhor do que uma musiquinha pra embalar o tédio, chocalhar o esqueleto e mandar o baixo astral para bem longe.

Recentemente retomei uma coleção de LPs – sim, os famosos “bolachões”, relíquias esquecidas no tempo que, com muito prazer, tenho me deliciado em cumprir um ritual, quase que religioso. Só quem nasceu antes dos anos 90, vai entender. Primeiro achar na estante, separados por estilos musicais, o disco fabricado em vinil. Depois colocar na vitrola e se encantar com o barulhinho da agulha no disco que, ops, se estiver riscado, pula ou enrosca. O digital jamais nos dará esse prazer (e trabalho).

Para os que nasceram após 1990, vou explicar como o Long Play (LP) era (alguns ainda são) fabricados.

O disco de vinil nada mais é do que uma chapa, majoritariamente de cor preta e contendo um rótulo no centro chamado selo fonográfico. São fabricadas através de processos eletromagnéticos e feitas de um material plástico chamado policloreto de vinila (abreviado como vinil), utilizada para o armazenamento de áudio desde 21 de junho de 1948.

Usados para a gravação de música, tinham a capacidade máxima de rodar de 23 a 30 minutos por cada lado do disco (contendo, normalmente, diversas faixas em cada lado). Inicialmente, existiam versões com 10 e com 12 polegadas de diâmetro (25 ou 30 cm). Entretanto, com o tempo, fixou-se o formato de 30 centímetros. Devido ao seu tamanho e capacidade, eles são discos que comportam o lançamento de um álbum completo. E tem dois lados, o A e o B. Geralmente, as gravadoras deixavam as apostas musicais no lado A.

Logo depois de seu lançamento, surgiram as fitas cassetes, que se tornaram seu principal concorrente. Foi apenas com a invenção do CD, um meio de armazenamento digital, em meados desta última década que o LP entrou em declínio. Apesar disso, experimentou um ressurgimento a partir da década de 2000, tendo a indústria registrado um novo interesse e um aumento das vendas deste meio de armazenamento de áudio. Hoje são objetos de colecionador e, dependendo da raridade, custam uma fortuna.

No Brasil, o primeiro LP de 10 polegadas foi lançado comercialmente em janeiro de 1951, com marchinhas de carnaval. Mas foi apenas com o aparecimento da Bossa Nova que o vinil começa a se estabelecer comercialmente, já que, além do barateamento dos toca-discos, que eram capazes de reproduzir o novo formato, este estilo musical possibilitava uma maior liberdade do artista, tornando-o mais importante do que o disco, segundo a história.

Na estante, varias dessas beldades me chamam para um bailinho particular. Nada é mais reconfortante do que uma boa música. Lava a alma!

Raquel Santana

Já foi jornalista, acha que é fotógrafa, mas nesses tempos de Covid-19 ela só quer sombra e água fresca no aconchego do seu lar. Vendo seriados, óbvio!

Foto: Free-Photos

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