O que a coleção Verão 2021 da Kenzo e a coleção Ventura da Maria Jujuba têm em comum?

É leve, muito leve. Uma coleção bem floral, cheia de tecidos leves e ar de despreocupação – mesmo trazendo chapéus com telas que lembram bastante um equipamento de proteção e distanciamento, bastante providencial num momento pandêmico como esse que vivemos – assim eu descreveria a nova coleção da Kenzo, apresentada na semana passada em Paris.

Kenzo – Foto: Divulgação

Não é segredo nenhum, eu amo a Kenzo. Amo os tecidos, as estampas, as cores, as fragrâncias, os acessórios, a música dos comerciais; consigo me vislumbrar imersa nesse universo tão bem captado e transmitido que transpira sonho, tem cheiro de brisa e sol um pouco antes do entardecer. Efeito do Capitalismo, eu sei, mas se a gente está imersa no sistema e pelo menos a parte de sonhar não custa…


Kenzo – Foto: Divulgação

Com a nova coleção, intitulada La Vita (A Vida), a grife ousa dizer: Aproveite sua vida! Aproveite o agora, seja ele como for. Viva, respire fundo! E acho que não só eu, como uma grande parcela da população procura exatamente essa mensagem nesse momento: otimista, que permite sonhar mesmo no meio do caos, sem esquecer a realidade, mas lembrando também que outras realidades são possíveis.


Kenzo – Foto: Divulgação

No dia da apresentação, o clima não estava como o esperado. Ainda assim, Felipe Oliveira Baptista, diretor criativo da label, colocou na passarela modelos vestidas de sonho e vestindo chapéus imensos como os que os apicultores usam. Papoulas, hortênsias, um jardim em movimento – sem esquecer o volume e a conexão inconfundível com a cultura japonesa, marca registrada de Kenzo Takada, fundador da grife.


Kenzo – Foto: Divulgação

“Eu nunca havia trabalhado em uma coleção tendo tantas perguntas em mente e com sentimentos conflitantes sobre nosso presente e futuro”, disse o designer para o jornal Kenzo, e seguiu: “Esta é uma coleção eclética, variada e cheia de contrastes, na qual as roupas são pensadas para mudar de acordo com as circunstâncias. A maison sempre foi sinônimo de diversão, otimismo, celebração da vida – que é feita de altos e baixos, alegria e melancolia, surpresas e pragmatismo. Hoje o mundo está doente, mas continua vivo e enquanto há vida há esperança”.


Kenzo – Foto: Divulgação

Nesse mesmo espírito, de proteção mas também de muito otimismo e desejo de viver a vida de forma plena, tanto quanto possível, a marca londrinense de acessórios Maria Jujuba lança a coleção Ventura, simbolizando bons agouros e fazendo uma homenagem a Geraldo Venturin, preparador de modelos e parceiro da marca, falecido no começo do ano.

Geraldo Venturin – Foto: acervo pessoal

“O Geraldo foi uma pessoa incrível e muito inspiradora. Lembrar dele através dessa coleção não é apenas uma forma de manter vivo seu legado, mas também uma lembrança constante dessa alegria de viver que ele tinha, de fazer o que era possível mesmo em momentos muito difíceis e não se abalar com os obstáculos. De rir mesmo diante do imprevisível, segurando uma xícara de café nas mãos”, diz Ana Paula Barcellos, eu mesma, a colunista, que participou da pesquisa para essa coleção-tributo, da curadoria das peças e da elaboração da campanha, etc.

Maria Jujuba Rock – Foto: Divulgação

Venturin, sobrenome de Geraldo, vem da palavra Ventura, que quer dizer sorte, destino, uma circunstância favorável que chega a alguém como um presente, uma dádiva, sem que ela precise merecer ou esperar. E nessa aventura, flores, borboletas, espirais, círculos em circuito que lembram esse ciclo eterno que é a vida. Peças que dão asas a bons sentimentos e bons desejos, uma esperança por um futuro cheio de bom ânimo, traga ele o que trouxer. O slogan da campanha é: o tempo é agora.

Maria Jujuba Rock – foto: Divulgação

Já posso adiantar aqui que é uma coleção de peças maiores, vistosas, que querem ser vistas – sempre com um toque de brilho; peças surpreendentes e que mudam “de tom” dependendo do look ou da make escolhida; também são peças que me enchem os olhos e me trazem alegria (vibe Kondo? Risos) e me lembram que a vida é esse sopro, que a gente pode fazer nosso melhor hoje e rir do imprevisível com uma xícara de café nas mãos, como me ensinou Geraldo. Sonhando enquanto vejo o pôr do sol do meu quintal. E que O tempo é mesmo agora.

Ana Paula Barcellos

Escritora, mocinha do medalhão persa, marketeira e pesquisadora de tendências. Trabalha com as marcas Madame B., Maria Jujuba Rock e Pinacola.

Foto: Kenzo/Divulgação

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