O amor em tempos de coronavírus

Raquel Santana (*)

Quando ainda estava cursando Jornalismo na UEL, li pela primeira vez Gabriel Garcia Márquez. E não, não foi Cem Anos de Solidão, seu livro mais conhecido. Caiu em minhas mãos uma edição de O Amor nos Tempos do Cólera. Foi amor à primeira vista. O ano era 1986 e em suas 432 páginas, o colombiano Marquez narra a história de um triângulo amoroso formado por Fermina Daza e seus dois pretendentes, Florentino Ariza e Juvenal Urbino.

Baseado na história real de seus pais, o jovem telegrafista, violinista e poeta Gabriel Elígio Garciá e sua paixão por Luiza Márquez, na vida como ela é, o romance enfrentou a oposição do pai da moça, coronel Nicolas, que tentou impedir o casamento enviando a filha ao interior numa viagem de um ano. Para manter seu amor, Gabriel montou, com a ajuda de amigos telegrafistas, uma rede de comunicação que alcançava Luiza onde quer que ela estivesse. Essa história real foi o ponto de partida para o livro.

Na ficção, o colombiano ganhador de um Nobel de literatura, conta que , a moça, por imposição do pai, acaba se casando com um médico. Ao ficar viúva, mais de meio século depois, Firmina finalmente se encontra com Florentino. Em pleno surto de cólera. Não conto o final para não dar spoiler. Li as mais de 400 páginas num fôlego só. E ao chegar no capítulo final fiquei economizando parágrafos para não acabar. Nem conseguia ler de tantas lágrimas. Mas por que lembrei justamente desse livro nos dias estranhos que estamos vivendo por causa do surto de coronavírus?

A cólera é uma infecção do intestino provocada por uma bactéria presente na água ou nos alimentos. Acontece que, quando ela surgiu, ninguém sabia de onde vinha. O último grande surto foi em 1911 e pela data dá para imaginar as condições sanitárias da época. Muita, mas muita gente morreu pelo simples ato de não lavar as mãos ou comer alimentos contaminados. Ainda hoje resiste em alguns países africanos. Mas já não é um problema nos países mais desenvolvidos.

Acredito que a mesma coisa deve acontecer com o coronavírus. Assim como já tivemos outros surtos, como o da gripe espanhola, por exemplo. Mas espero que no atual, não precisemos enfrentar cem anos de solidão. E rogo que a cura chegue logo e possamos voltar a amar nossos iguais, sem cólera, sem ressentimentos. O amor em nossos tempos, é essencial.

(*) Jornalista radicada em Curitiba mas apaixonada por Londrina

Foto: Cena do filme O Amor Nos Tempos Do Cólera/Divulgação

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